O social media da conta da Pizza Hut na Malasya teve que se desculpar publicamente depois ter ter pego bem mal uma postagem da marca que acusada de transfobia na Internet.

O perfil da empresa simplesmente se envolveu gratuitamente em uma discussão sobre mulheres trans na Malásia, onde vale lembrar que – embora existam – ainda é ilegal ser trans.

Um usuário do Twitter argumentou que as mulheres trans têm o mesmo ‘aurat’ que as mulheres com cis. No Islã, aurat se refere às partes íntimas do corpo humano, mas o que é classificado como partes íntimas difere dependendo da interpretação do Islã. Aurat pode se referir a partes que não sejam genitais, como rosto, cabelo ou até mesmo voz.

Enquanto pessoas postavam suas opiniões (maioria sem qualquer conhecimento de causa, estudo ou vivência no assunto), o perfil da Pizza Hit entrou na discussão e começou a compartilhar suas visões, muitas consideradas transfóbicas por muitos internautas.

O tweet mais ofensivo e problematizado dizia que as mulheres trans deviam ser limpas com as águas do ‘zam zam’. O ZamZam é uma fonte interminável de água no local sagrado de Meca.

Internautas rapidamente condenaram o tweet julgando como ofensivo. A Pizza Hut apagou logo em seguida e culpou uma agência externa contratada para administrar suas plataformas de mídia social.

Logo em seguida, se desculpou publicamente em uma série de 3 tweets:

“Pedimos sinceras desculpas por nosso tweet anterior (agora excluído) com comentários inapropriados sobre sexualidade e religião. Queremos esclarecer: a Pizza Hut não tolera tais visões e políticas, não se envolve em questões de religião ou sexualidade”, escreveu no Twitter.

A Pizza Hut não chegou a nomear a agência, mas confirmou que encerrou seu contrato com a empresa: “Isso vai contra nossa ética como um negócio para ‘nomear e envergonhar’ nossos antigos parceiros de negócios e causar-lhes mais danos depois que medidas foram tomadas”, disse Jean Ler, diretor de marketing da Pizza Hut Malásia.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).