De acordo com a mais recente pesquisa do Public Religion Research Institute (PRRI), a maioria dos americanos apoia medidas de igualdade LGBT+, incluindo proteções contra discriminação e casamento entre pessoas do mesmo sexo. Pesquisadores da organização sem fins lucrativos conversaram com mais de 40.000 pessoas de março a dezembro de 2019. O levantamento faz parte do Atlas Anual de Valores Americanos.

A pesquisa não abordou algumas das questões mais controversas dos EUA, como o acesso trans a banheiros. No entanto, ela identifica um amplo suporte para a comunidade LGBT+, o que indicaria que o público apoiaria um futuro Congresso e presidente aprovando a Lei da Igualdade.

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Apoio à discriminação justificada pela religião

No ponto mais controverso da pesquisa, o PRRI encontrou atitudes que mudaram levemente contra as pessoas LGBT+. O levantamento perguntava aos americanos como se sentiriam em relação a um pequeno empresário recusando produtos ou serviços a gays ou lésbicas, caso o proprietário sentisse que era contra sua crença religiosa.

As respostas mostraram que 56%, um quarto da população estadunidense, é contra a discriminação baseada neste critério. No entanto, 37% apoiaram a recusa de serviços baseados em critérios religiosos, e mais ainda, 12% afirmaram serem extremamente a favor. Assim, embora a maioria ainda apoie a comunidade LGBT+ nesta questão, o apoio diminui em relação as pesquisas anteriores.

Em 2015, 59% se opuseram a proprietários de pequenas empresas que recusavam o serviço a clientes LGBTs por razões religiosas. A porcentagem aumentou para 61% em 2016. Nos anos seguintes os números diminuíram gradativamente, com 60% em 2017, 57% em 2018 e 56% no ano passado.

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O relatório do PPRI diz: “As causas das mudanças de opinião são difíceis de identificar. Essa política explora três áreas de opinião distintas que podem mudar com o tempo: atitudes em relação às pessoas LGBT, opiniões sobre como as pequenas empresas devem ser regulamentadas e atitudes religiosas.”

Notavelmente, jovens e mulheres são mais propensos a apoiar a comunidade LGBT+ neste ponto da pesquisa. Há ainda outra grande diferença demográfica entre grupos raciais e étnicos. Os negros são os mais fortes aliados LGBT+ na questão, com 63% respondendo ser contra práticas discriminatórias de pequenas empresas.

Entre as pessoas hispânicas a porcentagem foi de 58%, asiáticas americanas e das ilhas do Pacífico (58%) e multirraciais (56%). Enquanto isso, apenas 54% dos americanos brancos se opõem às recusas de serviços religiosos.

O único grupo étnico com maior probabilidade de ficar do lado dos empresários religiosos são os nativos americanos, com apenas 47% sendo contra os atos discriminatórios.

A maioria dos entrevistados apoiam leis contra a discriminação

Atualmente, 72% dos americanos são a favor de leis que protegem as pessoas LGBT+ da discriminação em empregos, acomodações públicas e moradias. Esse número permaneceu estável desde que o PRRI fez a pesquisa pela primeira vez em 2011.

No entanto, o número de americanos que apoiam “fortemente” as leis antidiscriminação para pessoas LGBT+ diminuiu. De 36% em 2015, caiu para 30% na nova pesquisa de 2019.

Já o suporte para proteções LGBT + varia entre os estados. O maior é em Massachusetts, com 78%, e o mais baixo é no Alasca, com 59%. O apoio é maior nos estados do nordeste, oeste e centro-oeste, e menor nos estados do sul. Mas, com exceção do Alasca, pelo menos seis em cada dez americanos em todos os estados apoiam leis antidiscriminação.

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Atualmente, apenas 21 estados dos EUA e o Distrito de Columbia têm leis que proíbem a discriminação com base na orientação sexual ou identidade de gênero. A lei da Virgínia acaba de ser aprovada e entrará em vigor em julho.

Uma proposta de lei que ampliaria as proteções aos LGBT+ em todo os EUA foi aprovada na Câmara dos Deputados, mas paralisou no Senado e o presidente dos EUA, Donald Trump, já afirmou que não vai assinar. No entanto, o candidato presidencial democrata Joe Biden prometeu tornar a lei uma prioridade.

Maioria dos idosos já apoia o casamento igualitário

Atualmente, 62% dos americanos dizem que casais do mesmo sexo devem ter permissão para se casar legalmente. Metade desse número é contra a igualdade no casamento.

O número de pessoas que apoiam o casamento entre pessoas do mesmo sexo tem aumentado constantemente. Em 2007, pouco mais de um terço (36%) apoiou a união de casais do mesmo sexo, enfrentando 55% contra. Em 2015, quando a Suprema Corte dos EUA decidiu em favor do casamento igualitário, isso mudou significativamente.

O apoio é ainda maior entre os americanos mais jovens (entre 18 e 29 anos), com 73% deles a favor do casamento igualitário. Além disso, a pesquisa de 2019 marca a primeira vez em que a maioria dos americanos com 65 anos ou mais apoiam a igualdade no casamento, com 51% de aprovação.

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Pessoas mais jovens têm maior probabilidade de se identificar como LGBT+

A pesquisa também analisou mais de perto a própria comunidade LGBT+ dos EUA. O PRRI disse: “Os LGBTs norte-americanos são significativamente mais jovens que a população em geral, talvez por serem mais propensos do que as gerações mais velhas a entender e expressar suas próprias identidades mais livremente.”

A partir desta perspectiva, os pesquisadores descobriram que quase metade (47%) dos americanos que se identificam como LGBT+ têm entre 18 e 29 anos. Outros 32% da comunidade LGBT+ são formados por pessoas de 30 a 49 anos, 12% têm entre 50 e 64 anos e 8% são idosos, com 65 anos ou mais.

A pesquisa ainda verifica que os LGBT+ norte-americanos têm maior probabilidade de terem uma posição política independente (43%) ou aliada ao partido Democrata (40%), os que se identificarem como republicanos somam 11%.

Os pesquisadores também encontraram diferença racial: os americanos brancos ainda compõem a maioria da comunidade LGBT+ nos EUA, com 51%. Os hispano-americanos representam 21% da população LGBT +. Os negros ficam em terceiro colocação, com 13%. Os americanos asiáticos e das ilhas do Pacífico compõem 5% da comunidade LGBT+. Os que se identificam como multirraciais somam 7%. Já 2% da população LGBT+ se identifica como nativos americanos.

No recorte religioso, a maioria não possui filiação com igrejas, com 47% dos americanos LGBT+ se declarando como “religiosamente não afiliados”.

Matéria traduzida do Gay Star News.