Jaqueline Santos já é uma vencedora por si só! No país que mais mata LGBTs e onde a expectativa de vida de um transgênero é de apenas 35 anos, a Farmacêutica de 36 anos é a exceção à regra! Uma vez que segundo a Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) somente ano passado (2018), mais de 150 travestis e transexuais foram assassinados no Brasil.

De cabeça erguida e sempre enfrentando as dificuldade em ser uma mulher trans, Jack Santos quer que sua história sirva de inspiração para outras pessoas trans e que essas não desistam de seus sonhos. A primeira farmacêutica trans reconhecida pelo Conselho Regional de Farmácia do Estado de Pernambuco vai mais longe “Não tenho medo de nada, eu enfrento tudo!”.

Desde muito sendo, Jack – como prefere ser chamada – já sentia que existia algo diferente nela. “Sempre me vi como mulher. Aos 18 anos, decidi fazer o magistério e iniciei o meu processo de transição. Meus pais não aceitaram e cheguei a ser expulsa de casa. Estudava durante o dia e a noite dormia no metrô de Jaboatão, até que uma tia me acolheu”, relembra.

Graduada no ano passado, Jack conta que sempre foi muito dedicada ao trabalho e as pessoas em torno de si. E acredita que essa maneira de conviver e lhe da com as pessoas fez com que a mesma nunca sofrera preconceito na faculdade. Hoje, casada e mãe de três crianças (dois meninos, um de 7 e outro de 8; e uma menina de cinco), a farmacêutica lembra que temos que ensinar de criança o respeito pelo próximo. Meus filhos me enxergam como mulher e não aceitam qualquer tipo de preconceito!

A unidade dificuldade encontrada foi na obtenção do diploma com o nome social.  Apesar do decreto nº 8.727/2016 assinado em abril pela Presidência, que regulamenta o uso do nome social em instituições públicas federais, muitas universidades ainda não têm regras próprias. “Eles justificaram que Jack seria abreviação de nome. Então mudei para Jaqueline e consegui dar entrada no meu diploma”, explica.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

Educação

Apenas 10% dos transexuais no Brasil têm emprego formal, segundo a Antra. A exclusão dessas pessoas no mercado de trabalho se dá, principalmente, pelo preconceito e a falta de formação já que os índices de evasão escolar chega a 82%, segundo levantamento feito pela OAB.