O advogado e empresário Pedro Melo – que no ano passado concorreu ao cargo de vereador na cidade de São Paulo e também ganhou fama na Internet após ter material íntimo vazado – compartilhou em seu Instagram a história do menino Enzo, que ele pôde ajudar a ter um final feliz após um pedido de socorro de sua mãe.

Enzo é um garoto de sete anos de idade. Como vários meninos nessa altura da vida, é alegre, carinhoso, adora jogar futebol… só tem uma diferença pra maior parte das crianças: é transgênero, ou seja, nasceu biologicamente do sexo feminino embora desde que se entende por gente, se entende um menino.

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Felizmente Enzo conta com o apoio da mãe. Mas o quadro foi muito diferente em sua escola, o que é bizarro ao lembrarmos que educação um direito básico garantido pela Constituição, para todos independente de gênero.

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Pedro Melo conheceu Enzo quando estava em campanha no ano passado, em visita à ONG LGBT Casa Florescer: “Enzo chegou brincando com uma bola de futebol, e me ensinou que a nossa luta por direitos é pra garantir que ele tenha uma vida igual a cada um de nós”, disse.

Depois da visita, a mãe do garoto ficou sabendo da interação de ambos e procurou Pedro Melo, acreditando que um advogado pudesse ajudá-la no processo de convencer o diretor da escola de Enzo, que se negava a fazer sua matrícula devido ao nome social, e claro, total ignorância no assunto.

Pedro Melo e Enzo. (Foto: Reprodução / Instagram)
Pedro Melo e Enzo. (Foto: Reprodução / Instagram)

E ela estava certa. Pedro Melo felizmente conseguiu resolver a situação até que rapidamente: “Entreguei uma notificação Extrajudicial expondo a eles a obrigação de registrarem o Enzo com o nome social e tratá-lo como um menino. Fundamentei minha petição de acordo com o disposto no art. 4º da Resolução n. 01 de 19/01/2018 do MEC (Ministério da Educação) e da Lei estadual n. 10.948/01 de São Paulo, além dos pressupostos constitucionais e contidos no ECA.”

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Nada como conhecer a lei, né? Com isso, Enzo conseguiu ter garantido o respeito ao seu nome social e identidade de gênero na escola. Em anos anteriores, ele já teve problemas sérios. Um dia chegou todo sujo de xixi em casa porque se recusava a ir ao banheiro feminino, que tentavam forçá-lo a usar. Brigas e bullying também eram constantes sendo chamado de “sapatão” pelos outros.

Sua paz de espírito veio ao entender que era um menino trans e ter o apoio da família, além da garantia jurídica de ter sua identidade respeitada na escola para, como toda criança heterossexual cisgênera, poder ser ele mesmo e ser feliz. Simples assim.

Aproveite e assista abaixo ao vídeo do Põe na Roda e entenda a realidade de crianças trans e seus pais:

“A vida é feita de pessoas diferentes e situações novas, desafiadoras até, especialmente num ambiente que, embora tenha como finalidade educar, por muito tempo negligenciou pessoas fora do padrão e do convencional numa sociedade cisgênera e heteronormativa. É tempo de quebrar os paradigmas”, finalizou Pedro Melo no post do Instagram onde compartilhou a história.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).