Para casais LGBTs ou pai solo que desejam construir uma família, a barriga de aluguel é uma opção cada vez mais comum, ainda que seja possível no Brasil apenas como “barriga solidária” (sem custo ou pagamento envolvido). Ainda assim, muitas vezes a ideia pode ser uma jornada financeiramente, emocionalmente e logisticamente difícil, principalmente durante a pandemia.

Aos 49 anos, Nick Wray, um homem gay com sonho de constituir sua família, recentemente se tornou pai solo. Uma ex-namorada doou seus óvulos e ele participou de um programa de mães de aluguel na Colômbia para ajudar. Sua filha Hannah nasceu saudável em 3 de agosto, só que no auge da pandemia COVID-19, quando as fronteiras da Colômbia ficaram fechadas para todos e encontrar um caminho para Bogotá, a extensa capital de grande altitude da Colômbia, foi um martírio para ele.

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Segundo a matéria original do portal Pink News, passaram-se mais de dez semanas angustiantes após o nascimento de Hannah, sua filha, antes que Nick pudesse ter permissão de voar para enfim ter sua filha nos braços.

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Felizmente, como muitos outros bebês gerados e então presos sem seus pais por períodos durante o COVID, uma babá colombiana foi chamada ao resgate. Nick teve que aprender a lidar com os obstáculos burocráticos, como o registro da cidadania e depois um passaporte para Hannah, para só então levar sua filha finalmente para casa.

Felizmente, após duas semanas de quarentena impostas no hotel na chegada, Nick e Hannah conseguiram estar juntos a tempo de passarem o Natal de 2020, o primeiro de pai e filha juntos.

O pai Nick e sua filha, aliviados e juntos em casa. (Foto: Reprodução / Arquivo pessoal)
O pai Nick e sua filha, aliviados e juntos em casa. (Foto: Reprodução / Arquivo pessoal)

Nick é apenas uma de muitas histórias recentes. A crise do COVID-19 adicionou uma camada extra de complexidade aos pais que buscam barriga de aluguel. Em geral, é necessário mais paciência. Alguns programas têm listas de espera de nove a 12 meses e as regras continuam mudando, já que as fronteiras abrem e fecham conforme as regras de distanciamento social da pandemia.

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Alguns pais ou mães contactam um substituto local providenciado pelo programa de gestação ou agência. Em outros casos, é um amigo ou membro da família no exterior que ajuda. Por isso, compreender as leis no exterior ao gerar um filho fora do país – como por exemplo fez o ator Paulo Gustavo e seu marido com seus filhos gêmeos – é muito importante.

Países como o Canadá e muitos estados dos EUA têm leis que reconhecem dois pais como pais legais e emitem certidões de nascimento correspondentes. Em outros, apenas um pai gay pode ser nomeado junto com o substituto. O Reino Unido, exige mais papelada legal.

A Rússia proibiu recentemente homens solteiros e casais gays, enquanto programas surgiram na Albânia, Colômbia e até na Argentina. Dentro dessa paisagem, é ainda mais importante tomar decisões sábias sobre onde e quando começar.

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Garantir que você não seja aproveitado por clínicas de fertilização in vitro também é fundamental. Um pai gay contou como sua clínica de FIV esqueceu que ele e seu parceiro queriam dividir os óvulos de seu primeiro ciclo de doação de óvulos. A supervisão os forçou a gastar mais US $ 25.000 em um segundo ciclo.

Nick Wray é um dos vários pais recentes que compartilharam sua jornadas extraordinária para realizar o sonho da paternidade no Webinar da noite de 11 de março do grupo Growing Families, que dá suporte a pessoas nesta situação. Através do programa, especialistas jurídicos, de fertilização in vitro e de mães substitutas dão conselhos práticos para o planejamento de famílias na era COVID, fornecendo uma visão honesta dos processos, obstáculos, custos, para enfim ter um final feliz e sua família formada.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).