Case sim!

Acabei de ver aqui um artigo do Pedro HMC sobre o fato de o namorado do cantor George Michael não ter ficado com um só centavo da herança do cantor que em reais, chega a 500 milhões.

Vou escrever esse artigo em três partes: a do velório, a do testamento e a do inventário. Você, quando tiver lido as três vai entender o quanto é necessário que nós gays, e todas as pessoas (sem descendentes), se preocupem com isso.

Aqui no meu escritório não foi somente uma vez que recebi casos desse tipo.

O caso é que hoje em dia as famílias “aceitam” melhor os casamentos gays, as uniões estáveis e ou os namorados. Antigamente, eram chamados de amigos. Meu pai mesmo, enquanto vivo, chamava meu marido de “aquele seu amigo”.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

Bem, partamos do princípio que seu companheiro, marido ou namorado, acaba de morrer. O primeiro dos seus problemas, se você não é casado, é que o defunto não é sua propriedade. O hospital não vai entregar as coisas dele para você; o hospital não vai te dar documentos como o atestado de óbito para ser levado ao cartório para você; o hospital não vai liberar sua entrada no necrotério para reconhecer o corpo dele quando a funerária chegar…

Você, não é parente do defunto. Aliás, você já vai ter problemas se ele ficar internado e nem morrer porque vai precisar de autorização da família para ir à UTI nos horários de visitas. Muito bem: alguém tomou providências com o defunto, tipo: um irmão foi ao apartamento de vocês para pegar uma roupa para o enterro. Pronto! Você se ferrou.

Voltando à história de que você não é parente do defunto, um irmão dele vai se oferecer para buscar a roupa do velório na sua casa. Você fica tocado com a gentileza e entrega a chave do seu apartamento. Pronto! Você se ferrou.

Você começa a notar que algumas pessoas da família não estão no velório e se pergunta: Onde foi parar aquele irmão que foi buscar as roupas para o velório???

De repente, o irmão aparece e tudo fica normal.

Você recebe poucos cumprimentos da família porque a maioria você não conhece e, os que você conhece estão te tratando friamente. Aí você pensa: que porcaria de viúvo sou eu que não estou mandando nessa bagaça? Esse velório é meu! Mas, você deixa passar, está dolorido com a perda de seu marido, está fazendo seu último momento com aquele que você amou por anos e, está de luto.

Chega a hora do enterro ou cremação. Seus amigos vão te acompanhar. Você está acabado e chora muito…

A exaustão toma conta de você e, acabada a cerimônia de enterro ou cremação, tudo o que você quer, está em casa: um banho, uma troca de roupas e uma refeição leve. Talvez um papo com os amigos mais íntimos que vão te acompanhar.

Finalmente você chega em casa e vai usar aquela chave que seu cunhado te devolveu no velório depois de ter pego as roupas do defunto e PÁ. A CHAVE NÃO FUNCIONA.

Você acha estranho, funcionava até ontem. Liga para o seu cunhado para perguntar se ele fechou direito a porta ou se teve algum problema e recebe a clássica resposta: TROCAMOS A FECHADURA. (continua na parte II)