O Governo do Amazonas sancionou uma lei que garante o uso do nome social por pessoas transexuais e travestis nos órgãos e entidades da administração pública do Estado. Maria do Rio, de 23 anos, que assumiu a identidade feminina aos 16 anos, disse ao G1 que essa lei abrirá portas em todos os setores da sociedade.

“Hoje, a principal causa das pessoas trans não estarem na escola, não estarem trabalhando, não estarem nos hospitais e em serviços de cidadania é o desrespeito ao nome, porque chegamos em um lugar e as pessoas automaticamente negam a nossa existência. O nome social é a primeira forma de começar a falar do assunto, uma maneira mais gentil e pedagógica de tentar educar as pessoas sobre a importância do respeito e da valorização do ser humano”, afirmou Maria, que trabalha na Fundação Hospital Adriano Jorge.

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“Para existir, é preciso muita coragem porque, em todos os espaços que eu entro, eu sou a primeira pessoa travesti que ocupa um espaço novo e, toda vez, eu faço questão de mostrar que a lei existe. Meu objetivo é esse: ocupar novos espaços e mostrar para as pessoas que eu mereço estar ali e que outras pessoas, como eu, também devem estar”, destacou Maria do Rio.

Para a titular da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), Caroline Braz, a sanção da lei oferecerá cidadania e promoção de direitos. 

“É o cidadão ser tratado da forma como ele se identifica, da forma como ele se apresenta para a sociedade, então isso é muito importante e muda totalmente o próprio atendimento ao público, que começa a ser mais humanizado. Isso mostra uma gestão do Governo do Estado que reconhece as especificidades de cada cidadão”, pontuou a secretária.

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