A Netflix – sempre tão pró-diversidade e ao lado da comunidade LGBT em muitas das suas produções e atitudes públicas – está sendo criticada no Twitter em uma discussão que começou com ativistas LGBT reclamando que a vasta ala de filmes e séries LGBTs são principalmente G, ou seja, com personagens e produções voltaras mais para homens gays do que lésbicas, bissexuais e transexuais.

Quem começou a discussão foi o internauta @dspxna, que reclamou a falta de representatividade de outras letras fora homens gays que são os que mais tem suas histórias contadas.

“Alguém avisa Netflix que tem 678 filmes gays e 2 de lésbicas? Isso não é uma seção LGBT”, postou ela.

Disponível na Netflix UK, onde foi feito o levantamento pelo portal Advocate, há 42 filmes LGBTs. Destes, 24 centrados em homens gays, 10 em lésbicas, 4 que incluem bissexuais e apenas um sobre uma mulher trans e que nem está em papel de destaque.

A discussão então continuou pela internauta @FionaQuinn66, que disse:

“Incrível como tem pouco filme de lésbicas na Netflix UK. Considerando tantos filmes bons em DVD. Nem acredito que não tem ‘Imagine Eu & Você’ e ‘Carol’ só pra começar!”

Uma outra internauta, @causticFish tentou defender o lado da Netflix ao explicar: “Apesar de tudo, é mais culpa da mídia no geral que da Netflix. A maior parte de todas as produções LGBTs são filmes que focam na relação de dois homens gays.”

Outra sugestão no meio da discussão foi do internauta @siege_googles, que afirmou: “Outra sugestão é não trazer só sexo! Maior parte das produções são pra maiores de 18!”, o que @disablednacrafty concordou: “Verdade! Será que as pessoas podem fazer filmes LGBTQ normais sem focar só em sexo ou amores trágicos? Ser lésbica não significa ser erótica automaticamente!”

“Sou a favor de mais representatividade LGBTQ na indústria do entretenimento, na frente e por trás das câmeras. Mas neste caso, falo mais de mulheres lésbicas e bissexuais. Como lésbica quase não me vejo em produções ou exemplos de relações saudáveis e felizes na TV e nos filmes”, disse Fiona Quinn.

Danielle Harper concordou: “Também acho e tenho certeza que não sou a única. Estou cansada de ver as mesmas histórias, mesmas tragédias, mesmas maneiras de se assumir. Somos mais do que isso!”

A crítica é um lembrete válido de se representar todas as letras da sigla LGBT nas produções audiovisuais, mas é importante lembrar que uma das principais produções originais da Netflix – e que já dura 7 temporadas – é Orange Is The New Black, que foca principalmente na letra L da sigla LGBT.

Em Sense8, por exemplo, além do casal gay protagonista, a personagem Nomi vivia uma relação homossexual lésbica com uma integrante trans.

Pessoalmente, acredito que o esforço da Netflix em trazer inclusão é notável. Acontece que fora de suas produções originais, realmente é mais escasso história LGBT que não seja focada na letra G, o que muito além de uma questão exclusiva da Netflix, é muito mais do mercado audiovisual em si.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).