De acordo com o Diário de Pernambuco, Jamilly Brito, de 29 anos, foi espancada pelo namorado e três garis. Durante a agressão, ela teve as roupas rasgadas e, após conseguir fugir, procurou socorro, mas foi ignorada.

O caso começou quando Jamilly, que é uma mulher trans, e o namorado, João Victor Santana, tiveram uma discussão sobre um possível fim de relacionamento. A vítima então utilizou a bicicleta do agressor para ir comprar cigarro.

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Ao retornar para a casa, encontrou o namorado no portão, que gritou: “Você vai morrer. Eu vou chamar os caras para te matar”, foi quando ela viu os três garis. Os quatro homens começaram a correr atrás da vítima.

“Eles começaram a gritar: ‘Tira a roupa dela’. Rasgaram todas minhas peças de roupa e começaram a me agredir com socos no rosto. Eu estava com uma bolsa, onde guardava meu celular e todos os meus documentos. De uma hora para a outra, fiquei sem nada. Até a minha sandália eles levaram. Achei que fosse o meu fim, o dia da minha morte”, relatou Jamilly.

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“Eu consegui despistar três deles, mas um gari ainda continuou me perseguindo. Ele segurou o meu braço e disse: ‘fique aqui’, com um olhar de maldade. Eu o empurrei e sai correndo. Ele desistiu quando percebeu que não me alcançaria”, descreveu a vítima.

Jamilly então foi pedir ajuda em um posto de gasolina, mas encontrou apenas algumas pessoas que não ligaram para ela. “Tinham alguns frentistas e seguranças, mas eles não fizeram a mínima questão de ligar para a polícia. Eu esperava ser ajudada, que tivessem empatia comigo. Eu me senti um lixo. Foi o pior dia da minha vida”, afirmou.

“Eu fiquei sem roupa, sem dinheiro e sem comunicação até que Deus colocou um anjo no caminho. Um rapaz chegou para abastecer o carro no posto e me viu. Ele tirou a própria roupa do corpo para me dar. Ligou para a polícia e ainda me deu uma quantidade de dinheiro”, relatou Jamilly.

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Um boletim de ocorrência foi realizado na polícia local. A vítima afirma que João Victor Santana nunca havia demonstrado comportamentos agressivos e que discussões eram comuns entre o casal. Ela observou que João poderia ter dito aos garis que ela havia roubado sua bicicleta.

Na primeira tentativa de registrar a denúncia, Jamilly foi informada que não havia “um profissional que pudesse atender o caso”. Só conseguiu realizar o boletim de ocorrência no outro dia. “Eu fico pensando sobre o meu futuro. Isso está me consumindo. Eu estou tomando remédios. Me vem aquelas lembranças terríveis. Eles tentaram me destruir. Eu tento esquecer, mas aquela noite sempre volta. Eu preciso de ajuda psicológica”, relatou.

A Secretaria Executiva de Segurança Urbana de Olinda informou em nota que mantém contato com a Delegacia de Peixinhos, onde o boletim de ocorrência foi registrado, e que orientou o delegado a procurar o Departamento Jurídico da Locar Gestão e Resíduos, empresa responsável pela limpeza urbana na cidade. A secretaria também afirmou que solicitou o afastamento dos garis à empresa, que atendeu ao pedido.

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A Secretaria Executiva da Mulher e Direitos Humanos da cidade afirmou que está mantendo contato com a vítima para prestar assistência. “Ela, inicialmente, receberá suporte psicológico. Um profissional da pasta, inclusive, realizará uma visita ao domicílio de Jamilly para levantar outras informações e prestar o devido apoio”, afirmou em comunicado.

A Locar Gestão de Resíduos esclareceu que tomou conhecimento “da agressão em via pública, envolvendo uma mulher transgênero e seu companheiro, com a suposta participação de agentes de limpeza do seu quadro funcional”.

“A empresa ressalta que não compactua com o suposto fato narrado e que abomina qualquer tipo de violência, discriminação ou violação de direitos, sendo estes inaceitáveis em sua conduta. A Locar destaca que, desde o primeiro momento, adotou as medidas cabíveis e que está à inteira disposição das autoridades competentes para auxiliar nas investigações necessárias”, diz o comunicado da empresa.