Em Nova Iguaçu, na baixada fluminense, a técnica de enfermagem Julyanna Barbosa, uma mulher transexual de 41 anos, foi agredida quando voltava de uma boate da Rua da Lama, bairro Califórnia, por volta das 8 horas da manhã.

Quatro homens que andavam juntos se dirigiram a ela e começaram a ofender dizendo: “Olha o tamanho do viado! Bolsonaro tem que ganhar para acabar com esses lixos da rua. Deve estar com Aids”.

De repente, um deles pegou uma barra de ferro e acertou a cabeça de Julyanna. Ela caiu e os outros três começaram a agredí-la, a deixando com ferimentos por todo corpo.

Ela ainda conseguiu reunir forças pra levantar e sair correndo fugindo do grupo. Ao chegar em casa, seus irmãos a levaram para o posto de saúde onde ela levou 10 pontos na cabeça.

Julyana, mais uma vítima de seguidores de Bolsonaro.

Por recomendação da coordenadora de Diversidade Sexual de Mesquita, Paulinha Única, e Neno Ferreira, presidente da Associação de Gays e Amigos de Nova Iguaçu e Mesquita, ela decidiu registrar o crime em boletim de ocorrência.

“Além da vergonha e do medo, tem a sensação de não ser nada. Havia pessoas no ponto de ônibus e ninguém fez nada. Então, por que vou reclamar? Quem eu sou? As pessoas podiam impedir, mas deixaram eles me baterem”, lamentou Julyanna

Vivendo no país que mais mata transexuais no mundo, ela contou ser vítima pela terceira vez de uma agressão transfóbica. Mesmo assim, disse que não vai se esconder: “Vou levar minha vida normal. Ninguém pode tirar meu direito de ir e vir”.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).