Ava Moore mora em County Down, Irlanda do Norte, e havia se candidatado a uma posição de vendas temporária antes do Natal de 2018, na varejista multinacional Debenhams. A entrevista foi descrita como “boa”, mas ela não conseguiu o emprego, e depois recebeu um e-mail anônimo alegando que a decisão de não contratá-la foi porque ela é uma mulher trans.

Após a notícia do acordo com a empresa – em que eles pagavam a quantia, mas sem admissão de responsabilidade – Moore, cujo caso foi apoiado pela Comissão de Igualdade, disse em comunicado: “Fiquei realmente desapontado por não ter conseguido o emprego. Eu pensei que tinha completado uma boa entrevista, que incluía interagir com os clientes na área de vendas”.

Moore continua o relato: “Esse trabalho era exatamente o que eu procurava e pensei que seria realmente boa nisso. No entanto, durante o curso da entrevista, senti uma mudança na atmosfera depois de fornecer minha certidão de nascimento, que divulga minha história de gênero e o fato de ser uma mulher trans”.

“Fiquei tão chateada [quando não consegui o emprego]. O que meu gênero tem a ver com minha capacidade de fazer vendas? Estou apenas tentando fazer uma vida melhor para mim, quero trabalhar e me sustentar”, afirma.

“Minha confiança estava abalada e eu estava tão desanimada – senti que não importava o quanto eu tentasse ou o desempenho da entrevista, parecia que minha identidade era mais importante do que ser capaz de fazer o trabalho”, observa.

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Sua entrevista de emprego incluiu uma experiência de trabalho no local, durante a qual ela vendeu um item para um cliente.

Michael Wardlow, comissário-chefe da Comissão de Igualdade, afirma: “A questão aqui é simples – um trabalho deve ser direcionado à pessoa que se sai melhor na entrevista e nos testes de seleção. Isso que significa igualdade de oportunidades na prática. A empresa confirmou que Ava teve um bom desempenho na entrevista e na interação com os clientes – e ela diz que estava disposta a trabalhar as horas necessárias”.

“Quanto mais aberto e inclusivo for o processo de recrutamento, maior será a probabilidade de evitar discriminação ilegal e aumentar a probabilidade de conseguir as pessoas melhores e mais qualificadas para o trabalho”, aponta o comissário-chefe. “Debenhams disse que está disposta a fazer uma parceria com a Comissão para revisar suas políticas, práticas e procedimentos de igualdade de oportunidades. Nos comprometemos com isso e esperamos trabalhar com eles”.

Wardlow também lembro uma pesquisa recente da “Life and Times” na Irlanda do Norte, em que 21% dos entrevistados disseram ter preconceito contra a comunidade de transgêneros.

Um porta-voz da Debenhams disse: “Combinamos um acordo com base em nenhuma responsabilidade por parte da Debenhams. Somos um empregador de oportunidades iguais comprometido em promover a igualdade e a diversidade nos negócios e em todo o setor. As decisões sobre condições de recrutamento, treinamento, promoção e emprego são baseadas apenas na competência e desempenho pessoais”.

Matéria adaptada do site PinkNews. Leia a matéria original em inglês aqui.