A Associação Nacional de Travestis e Transexuias (Antra) divulgou novo boletim referente a morte de pessoas trans no Brasil durante os quatro primeiros meses, ou seja, o 1° quadrimestre do ano.

Foram registrados 64 assassinatos de pessoas trans no Brasil em 2020, um aumento de 49% em relação ao mesmo período no ano anterior. Em 2019 esse número foi 43, em 2018 foram registrados 53 e tiveram 58 casos em 2017. A pesquisa ressalta que todos os assassinatos até o momento têm como vítimas travestis e mulheres transexuais.

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Ainda no mesmo período de 2020, o estudo registrou 11 suicídios, 22 tentativas de homicídio e 21 violações de direitos humanos.

“Os dados apresentados, além de denunciarem a violência, explicitam a necessidade de políticas públicas focadas na redução de homicídios de pessoas trans, em especial para a proteção das trabalhadoras sexuais, que representam 90% da população trans, assim como o acesso as políticas de assistência”, observa a pesquisa.

Assassinatos de pessoas trans durante o período de isolamento social

As ocorrências no mês de março e abril, período em que o coronavírus se espalhou pelo Brasil e o país entrou em isolamento social, mostram um aumento de 13% em relação ao ano anterior. No total, foram seis mortes relacionadas diretamente ao Covid-19 e 26 assassinatos no 1° quadrimestre de 2020. Já no mesmo período de 2019 tiveram 23 e em 2018 se registraram 28 casos.

“Acreditava-se que durante a pandemia do Covid-19, os índices de assassinato poderiam diminuir como aconteceu em outras parcelas da população, pela necessidade do isolamento social colocado em muitas cidades/estados”, aponta o relatório, acrescentando que “temos um cenário onde os fatores sociais se intensificam e tem impactado a vida das pessoas trans, especialmente as travestis e mulheres transexuais trabalhadoras sexuais, que seguem exercendo seu trabalho nas ruas para ter garantida sua subsistência”.

A pesquisa ainda chama atenção para a demora de uma resposta do governo ao avanço do coronavírus e que o Brasil ainda não está vivendo o pico da infecção. “As principais ações foram iniciadas pelos estados que se posicionaram contra a resistência do presidente que tem sido responsável por promover aglomerações e incentivar manifestações para que o comércio, escolas e outras áreas voltem a funcionar”, destaca o estudo.

Assassinatos de pessoas trans nos primeiros dois meses de 2020

Nos dois primeiros meses de 2020, janeiro e fevereiro, foi registrado um aumento de 90% no assassinato de pessoas trans, subindo de 20 casos em 2019 para 38 em 2020. “[Os números representam] o Maior da série dos últimos quatro anos. Superando 2017, ano em que o Brasil apresentou o maior índice de assassinatos de sua história”, explica a pesquisa.

No anos de 2019, o Brasil continuou com o título de país que mais mata travestis e transexuais no mundo, além de cair do 55º lugar, em 2018, para o 68º no ranking de países seguros para a população LGBT.

O relatório afirma que os dados apresentados não refletem a realidade, já que ainda existe subnotificações e uma ausência de números governamentais, o que reforça a importância de organizações independentes que trabalham com esse monitoramento e denúncias a órgãos internacionais.

Acesse o relatório completo aqui.