No último fim de semana, milhares de pessoas em Nova York, Chicago, Los Angeles, San Antonio e Boston realizaram manifestações públicas em solidariedade a pessoas negras trans nos Estados Unidos.

Os protestos foram organizados em resposta aos assassinatos brutais de duas mulheres negras trans, Dominique “Rem’Mie” Fells, de 27 anos, e Riah Milton, de 25 anos, assassinadas na semana passada.

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As mortes são os dois casos mais recentes da onda de violência contra pessoas trans nos EUA. Segundo a Campanha dos Direitos Humanos, pelo menos 14 pessoas trans e não-binários/não-binárias foram assassinadas em 2020. As mulheres negras trans são o principal alvo dessa violência, representando 91% das pessoas trans assassinadas nos EUA em 2019.

A demonstração de solidariedade com a comunidade trans negra ocorreu após semanas de protestos do Black Lives Matter contra a brutalidade policial e o racismo nos EUA, após a morte de George Floyd e do Homem trans, Tony McDade, pelas mãos de policiais brancos.

Em Nova York, os manifestantes compareceram ao comício da Black Trans Lives Matter no dia 14 de junho. Com organização de grupos liderados por pessoas trans, como o “Marsha P Johnson Institute”, “The Okra Project” e “Black Trans Femmes in the Arts”, personalidades da comunidade trans fizeram discursos no Brooklyn enfatizando a importância dos direitos humanos para a vida dos negros.

“Milhares de nova-iorquinos vestidos de branco ocuparam vários quarteirões da Eastern Parkway em solidariedade às vidas negras trans.”

Milhares de manifestantes vestiram branco em alusão a outro momento importante da história do movimento negro, quando 10.000 manifestantes marcharam pelos direitos civis em Nova York em 1917, vestindo branco. O protesto caminhou silenciosamente para o Museu do Brooklyn.

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“O protesto do #BlackTransLivesMatter no Brooklyn agora é impressionante.”

Raquel Willis, mulher negra e transexual, liderou milhares de pessoas em um canto pró-trans: “Eu acredito no meu poder. Eu acredito no seu poder. Eu acredito em nosso poder. Eu acredito no poder trans preto.”

Em Chicago, a manifestação ocorreu durante a “Drag March for Change” (Marcha Drag Pela Mudança) em Boystown. “O que as pessoas parecem não entender é que os seres humanos trans estão em crise no momento”, disse Jo Mama, drag queen e ativista organizadora da marcha.

“A Marcha ‘Drag for Change’ começou em Chicago, em apoio ao Black Lives Matter e exige justiça para vítimas de brutalidade policial e força excessiva através da comunidade de ‘Boystown.'”

Em Los Angeles, o protesto organizado pelo Black Advisory Board, composto por lideranças e organizações negras LGBT+, ocorreu “em resposta direta à injustiça racial, ao racismo sistêmico e a todas as formas de opressão”. A multidão de manifestantes se reuniu no Hollywood Boulevard, onde “All Black Lives Matter” foi pintado nas cores do arco-íris para representar a diversidade da comunidade LGBT+.

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Jolie Ruffin, 24 anos, exibia uma placa que dizia: “Ser uma mulher negra queer na Amerikkka é uma ameaça tripla”.

Os discursos enfatizaram a importância da vida gay queer e trans, além de chamar atenção para o funcionamento da instituição policial. “Não estamos dizendo que todo policial é mau. Nós apenas desejamos que eles sigam um método diferente. Isso abre os olhos de todos. Espero que isso mostre que a polícia precisa de um treinamento melhor para seus policiais”, disse Greg Austin, um gay negro.

Hoje em LA!! Mais de 30.000 pessoas participaram de uma marcha de solidariedade anti-racista na Hollywood Blvd [Boulevard] para o ‘All Black Lives Matter’ [Todas as Vidas Negras Importam] #LoveConquersHate [O Amor Supera o Ódio].”

No Texas, os nomes de Fells, Milton e da pioneira trans Marsha P Johnson foram cantados pela multidão, que marchou e realizou uma vigília à luz de velas para as vidas perdidas. “As pessoas dizem que vidas negras são importantes, mas precisamos conversar sobre como todas as vidas negras são importantes e ponto final”, disse a ativista local Kimiya Factory à Rádio Pública do Texas.

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Manifestantes presentes nos vários protestos também comemoraram a Revolta de Stonewall e homenagearam as mulheres trans negras que lutaram pelos direitos LGBT+ cinco décadas atrás, bem como as mulheres trans negras mortas em 2020.

Participamos de uma vigília ontem aqui em #SanAntonio para ‘QUEER BLACK LIVES’. Pessoas trans negras assassinadas não possuem destaque suficiente. Todos os LGBs devem ser suporte o Black T!”

“Mesmo antes da pandemia, estávamos morrendo. Mesmo antes da pandemia, a polícia estava nos brutalizando, nos desumanizando. Pandemia ou não, vamos aparecer”, disse Tre’Andre Valentine, um homem negro de Trinidad e Tobago que lidera a Coalizão Política de Transgêneros de Massachusetts.

“A ‘Pride’ pode ser cancelada por causa da COVID, mas há uma grande reviravolta nesta Vigília da Resistência Trans e na marcha em homenagem ao legado de Stonewall em Boston hoje.”