A escritora canadense de 80 anos, Margaret Atwood, deu uma verdadeira lição aos transfóbicos. A autora de “O Conto da Aia” (The Handmaid’s Tale) foi ao Twitter para compartilhar algumas reflexões sobre sexo, gênero e como a compreensão sobre estes assuntos está evoluindo.

Atwood compartilhou um link para um artigo da “Scientific American” sobre sexo e gênero. O tweet dizia: “Um pouco de ciência aqui. A biologia não lida com compartimentos separados, como masculino ou feminino. Todos nós fazemos parte de uma curva. Respeitem isso! Deliciem-se com a infinita variedade da natureza!”

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Não demorou muito até surgirem várias pessoas afirmando que reconhecer indivíduos trans, intersexuais e não-bináries estaria contribuindo para o “apagamento de mulheres”.

A escritora respondeu aos comentários lembrando que todos os seres humanos podem aprender e que a ciência continua progredindo. “É obviamente uma ‘conversa’ em evolução”, afirmou.

“(Hum, existem pinguins gays. Existem hermafroditas.) O que a pesquisa está falando, no entanto, é que sexo e gênero nem sempre andam juntos e não são experimentados por todas as pessoas da mesma maneira. Isso parece ser inegável.”

Um dos comentários tentava argumentar usando as próprias obras da autora, “O Conto da Aia”, que retrata um futuro que reduz mulheres a seu suposto papel biológico reprodutor.

“Seus livros demonstram que você entende que as mulheres foram e ainda são oprimidas por causa de sua biologia. Triste ver você contribuir com esse absurdo”, dizia o tweet.

Atwood prontamente respondeu: “É claro que elas foram e são oprimidas! Isso também é abordado nesta coleção da Scientific American. Ninguém está dizendo que homens e mulheres são iguais em todos os aspectos. Por favor, leia as pesquisas reais.”

“Ninguém disse que não há ‘homens’ + ‘mulheres’. Mas gênero e sexo são duas coisas diferentes”, escreveu Atwood adicionando um link para um canal do YouTube que argumentava e explicava todos os equívocos presentes nas afirmações de JK Rowling, que fez vários comentários transfóbicos.

A escritora canadense ainda rebateu comentários que alegavam que pessoas trans são um perigo para mulheres cisgênero nos banheiros: “É preciso tentar entender os medos de outras pessoas. Muito disso parece ser sobre banheiros. Existem muitas maneiras inventivas de resolver os medos do banheiro. As pessoas são criativas, não é?”

A autora desafiou aqueles que diziam que mulheres cis foram agredidas fisicamente e estavam perdendo seus empregos por terem “preocupações” e “ressalvas” com pessoas trans. “Se tudo isso é verdade, alguém precisa fazer um relatório de investigação aprofundada sobre o assunto. Respeitar a individualidade e a identidade das pessoas incluiria respeitar (por exemplo) a sua”, escreveu Atwood.

“Estou muito velha”, escreveu a autora como resposta a alguém que disse que o sexo é determinado antes do nascimento e não é mutável. “Eu vi [a ideia de] como meninos e meninas ‘deveriam’ se comportar mudar muito. Isso desde 1955 ”, comentou Atwood, publicando um cartoon.

Atwood lembrou que é velha, portanto é infértil, e então questionou: “Isso significa que mulheres velhas não são mulheres. Talvez não respondam a isso, brincalhões do Twitter”.

Outros usuários demonstraram apoio a autora, inclusive lamentando o provável “hate” que a escritora vai receber por compartilhar seu posicionamento em relação a pessoas trans, intersexuais e não-bináries. “Não se preocupe, eu sou uma bota velha e resistente. O conhecimento é diferente da opinião. Fatos são fatos”, Atwood respondeu.