Em tempos em que pessoas como Danilo Gentili e Jair Bolsonaro – como já mostrou ponto a ponto o Buzzfeed – divulgam fake news associando LGBTs a pedofilia, é importante lembrarmos da desonestidade intelectual que há na propagação criminosa dessas sugestões que só aumentam estigma e preconceito com as minorias e a diversidade sexual que existe no mundo, que lutam tanto por aceitação e redução de preconceitos e estigmas.


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Um artigo muito elucidativo do Portal Hornet fez uma análise da questão lembrando de um estudo do jornal Pediatrics, onde em 269 casos de abuso sexual infantil estudados, 78% dos casos envolviam meninas e 22% envolviam meninos Destes episódios, apenas 2 casos eram relações homossexuais. Ou seja, nesta análise, em mais de 99% dos casos, o pedófilo estava cometendo um abuso em uma relação heterossexual.

Já um outro estudo publicado pelo US National Library of Medicine National Institutes of Health (acesse aqui) fez uma análise de outros 352 casos de abuso sexual de crianças, sendo 276 meninas e 76 meninos com idade entre 7 meses (sim!!) e 17 anos. Nestes casos, 222 dos 352 casos de abuso eram heterossexuais, ou seja, 82%, a esmagadora maioria.

É lógico que em nenhum caso um abuso de um ser indefeso e sem consciência do ato se justifica ou mesmo o abuso de menores teria qualquer relação como a heterossexualidade.

Os dados servem apenas para provar a associação criminosa proposta por pessoas mal intencionadas ao associar pessoas LGBT exclusivamente a pedofilia, quando estes, são a minoria dos casos de muito longe.

Não há qualquer relação entre orientação sexual e pedofilia, seja qual for a orientação. E nunca houve oficialmente qualquer organização ou movimento ativista LGBT que clamasse pela inclusão de pedófilos no hall das diversidades sexuais que precisam de aceitação e normalização na sociedade.

E o mais curioso é o silêncio destas mesmas pessoas conservadoras intolerantes que se dizem indignadas com a diversidade, sobre casos de abuso infantil comprovados na igreja, por exemplo…

Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).