Ana Paula Simon, uma professora, engenheira e mulher trans de 38 anos que mora em Palhoça, Santa Catarina, está há 7 meses sem poder ver seus próprios filhos, três crianças de 8, 7 e 5 anos de idade, tudo isso por pura transfobia, preconceito, descriminação e alienação parental.

Ana Paula teve seus filhos em um casamento heterossexual cisgênero ocorrido antes de sua transição de gênero. “Após a nossa separação em 2018, ela constituiu uma nova família e a coisa começou a ficar fortemente abalada que com menor fração já ocorria anteriormente, com ela afastando cada vez mais as crianças do meu convívio”.

A última vez que a mãe pode ver os filhos foi em junho deste ano. Desde então, ela foi simplesmente proibida de visitá-los, após uma decisão do Conselho Tutelar motivada pela ex-esposa.

A ex-esposa por sua vez havia feito uma denúncia através de um boletim de ocorrência acusando Ana Paula Simon com uma grande armação cheia de mentiras, preconceito, alienação parental e transfobia.

Mediante às acusações, as crianças chegaram a passar por exame de corpo de delito, que não comprovou qualquer indício de abuso. “Deu totalmente negativo o exame de corpo de delito. Mesmo assim o Conselho Tutelar a atendeu e me afastou da possibilidade de convívio com as crianças”. Mesmo sem qualquer prova contra a mãe, A psicóloga policial finalizou o seu relatório apontoado o resultado como “inconclusivo”, mas ainda assim a mãe Ana ficou impedida de ver seus filhos.

Ana Paula: na luta contra a transfobia para poder ver seus filhos de novo. (Foto: Reprodução / Instagram)
Ana Paula: na luta contra a transfobia para poder ver seus filhos de novo. (Foto: Reprodução / Instagram)

Ana Paula afirma estar sofrendo transfobia e alienação parental, mesmo assim sempre só dão crédito apenas à outra mãe das crianças, que faz acusações infundadas e sem qualquer prova: “Tentei várias vezes ir na delegacia prestar meus esclarecimentos e o delegado nunca quis me ouvir. Somente me ouviram lá uma vez, sem a presença do delegado, quando fui conduzida até a delegacia após uma ordem judicial injusta.”

A transfobia fica ainda mais sugerível quando sequer respeitam a identidade de gênero de Ana Paula Simon, a chamando de “pai” e a tratando no “masculino”, além de usar diversos termos de maneira pejorativa e discriminatória.

“Após o inquérito, o delegado mandou me indiciar”, contou. Foi aí que o Ministério Público aceitou a denúncia, mesmo sem qualquer prova ou indício das acusações da outra mãe das crianças, apenas se valendo de um relatório inconclusivo.

A transfobia sobrou até mesmo para a mãe de Ana Paula, avó das crianças. Ela também foi impedida de ver os netos a pedido da ex-esposa da filha. “Se quiserem fazer perícia em mim, física, psicológica, façam! Quero a verdade! Nunca fiz nada contra meus filhos!”, clama a mãe injustiçada. “Estou em um patamar de desespero e o preconceito é grande demais”, desabafou ao Põe Na Roda.

A escola dos filhos de Ana Paula a conhece desde os tempos em que ela dividia a guarda das crianças com a ex-esposa. A instituição fez uma carta à justiça em defesa de sua criação responsável e comprometida com os filhos. De nada adiantou.

Escola defende Ana Paula contra a transfobia da justiça. (Foto: Reprodução / Instagram)
Escola defende Ana Paula contra a transfobia da justiça. (Foto: Reprodução / Instagram)

Justamente indignada e desesperada para ver seus filhos novamente, Ana Paula Simon criou uma conta no Instagram chamada “Devolvam os Filhos da Ana Paula” para buscar ajuda e denunciar a transfobia e as injustiças que vem sofrendo.

“Apesar de ser revoltante, sou obrigada a respeitar a decisão judicial. Mas amo muito meus filhos e jamais vou desistir deles! Preciso ser ouvida. Preciso dos meus filhos. Sou só uma mãe em busca da verdade.”, diz Ana Paula em um dos posts onde explica sua situação.

Uma das personalidades que já entrou em contato e demonstrou apoio à Ana Paula é Tiffany Abreu, jogadora de vôlei. Veja seu vídeo abaixo denunciando a transfobia do caso:

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).