Cibelly do Pará, uma mulher trans, foi covardemente espancada no Carnaval em Belo Horizonte por sete homens. O crime ocorreu no dia 22 de fevereiro, na área central da capital mineira.

Só agora, quase quatro meses depois, ela conseguiu alta do hospital. “Estar viva é um milagre“, diz a prima de Cibelly, em entrevista ao BHAZ.

A vítima ficou paraplégica, teve afundamento do crânio, perdeu a fala e os movimentos do lado direito.

A Polícia Civil de Minas Gerais conta que “não poupa esforços para esclarecer o crime” e garante que ainda trabalha nas investigações, mas o fato é que não existem nem mesmo suspeitos de cometer tal atrocidade.

Não sei o que dizer. Não quero mexer com polícia. Não posso fazer nada. Não posso voltar atrás. A gente quer justiça, mas o que posso fazer? Preciso voltar para Belém-PA”, desabafa o pai de Cibelly, que prefere não ter o nome revelado por conta da represália.

O receio é óbvio. A transfobia, especialmente no Brasil, carrega um ódio animalesco.

Segundo o relatório do Mapa da Violência Transexual, 80% dos assassinatos contra trans acontecem com exagerada violência. São crimes odiosos. Estamos longe de combater a transfobia. Os números mostram que a cada ano vem aumentando”, lamenta Duda Salabert, presidente da Transvest, ONG (Organização Não Governamental) que abriga alunos e alunas travestis e transexuais em BH.

No dia 22 de fevereiro, Sábado de Carnaval, Cibelly foi cercada por sete homens na rua Espírito Santo, no centro de BH, e espancada. Em seguida, abandonada em via pública.

Cibelly só recebeu algum tipo de socorro após uma amiga dela a encontrar e acionar o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) para que ela, então, fosse internada em estado grave no hospital João XXIII.

Cibelly ficou mais de 10 dias em coma, mas as autoridades só registraram a ocorrência seis dias depois, apenas no dia 28 de fevereiro. A unidade hospitalar, referência em toda Minas Gerais, possui até mesmo uma unidade da Políca Civil na entrada do pronto-socorro, mas o caso só entrou no sistema da segurança pública mineira quase uma semana depois.

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Neste carnaval de BH, Cibely, mulher trans, foi covardemente espancada por 7 homens. A violência foi tamanha que ela ficou paraplégica, sem uma parte do crânio. A brutalidade começou com esses homens, que estão livres, chamando-a de "traveco", de "demônio" e pediram pra ela "virar homem". . . Repito: os criminosos estão livres! Os criminosos estão livres! Entrei em contato com o pai da Cibely, que veio do Pará cuidar dela. A @ongtransvest , projeto que coordeno, se comprometeu pagar as passagens aéreas e translado para o pai e para Cibely. Daremos também uma renda mensal para a família até quando existir a Transvest. . . Estou imensamente triste, revoltada, sem palavras. Até quando continuaremos assim? Segundo relatórios anuais, 83% dos assassinatos contra travestis ocorrem com uma violência exagerada: paus enfiados no ânus, corpos esquartejados… Tristeza. Tristeza! Revolta!. . . Quero agradecer todos as pessoas que estão ajudando a vaquinha virtual da @ongtransvest . A ajuda de vocês possibilitou essa ajuda à família da Cibely.

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Até hoje, a polícia sabe muito pouco sobre o crime. “Várias diligências foram realizadas para identificar e solicitar imagens de câmeras de segurança existentes ao redor do local dos fatos. Infelizmente nenhuma câmera captou o momento das agressões ou mesmo os agressores”, afirma, por nota, a polícia. “Em uma delas, que se encontra com a perícia policial, é possível ver a multidão que estava presente em um bloco de Carnaval e a equipe do Samu que chegou ao local para prestar socorro a Cibelly“.

Mesmo com várias pessoas na rua por causa do bloco, ninguém até hoje quis se envolver no caso: “Diversas pessoas foram chamadas a prestar informações e muitas preferem não se envolver e não prestar nenhum tipo de cooperação com a Polícia Civil de Minas Gerais”.

Conversando com o BHAZ, Adriely Souza, prima de Cibelly, expressa sua revolta com a transfobia.

“Nós ficamos muito revoltados porque, mesmo de longe, sabemos que o crime foi motivado pela orientação sexual dela. Como sete homens tem coragem de fazer isso só por ela ser trans? O crime foi muito brutal, tanto que chegou informação de que ela tinha morrido. Ainda bem que isso não aconteceu, mas ela ficou mais de 10 dias em coma.”

O dedicação do pai de Cibelly é a principal causa da milagrosa recuperação dela. O pastor Sandro Lúcio, da Igreja Cristã Contemporânea, frequentada por ela, é testemunha disso.

“A Cibelly é um milagre movido pelo amor. O pai tem se dedicado, de forma integral, para ela se recuperar. Está o tempo todo ao lado dela. Nesses quase quatro meses de internação, ele morou no hospital. O amor dele pela filha fez Cibelly viver novamente. Não tenho dúvidas.”

Ao saber do crime com sua filha, o pai abandonou o emprego e percorreu 2.756 km de ônibus para prestar todo o apoio possível para Cibelly. Agora, o paraense espera toda a burocracia acabar para que eles possam retornar à Belem.

“Estamos de braços abertos para cuidar dela. Vamos dar muito carinho, que é o que ela mais precisa neste momento. Nós amamos ela demais”, conta a amiga de infância de Cibelly, Adriely.

A viagem será totalmente paga pela Transvest. A ideia é que pai e filha estejam no Pará ainda neste mês. Duda Salabert falou um pouco sobre a iniciativa:

“A Transvest vai pagar as passagens aéreas. Até sábado, com certeza, eles vão poder voltar. Vamos nos colocar à disposição da família para ajudá-los e a Transvest, enquanto existir, vai dar uma renda mínima para Cibelly”, 

Confira a nota da Polícia Civil de Minas Gerais na íntegra:

“A Polícia Civil de Minas Gerais informa que desde que tomou conhecimento, em 28 de fevereiro de 2020, seis dias após o fato, da tentativa de homicídio contra Cibelly, não poupa esforços para esclarecer o crime.

Várias diligências foram realizadas para identificar e solicitar imagens de câmeras de segurança existentes ao redor do local dos fatos. Infelizmente nenhuma câmera captou o momento das agressões ou mesmo os agressores. Em uma delas, que se encontra com a perícia policial, é possível ver a multidão que estava presente em um bloco de carnaval e a equipe do SAMU que chegou ao local para prestar socorro a Cibelly.

Diversas pessoas foram chamadas a prestar informações, no entanto, ainda não temos testemunhas do fato e muitos preferem não se envolver e não prestar nenhum tipo de cooperação com a PCMG.

A Delegacia Especializada em Repressão aos Crimes de Racismo, Xenofobia, LGBTfobia e Intolerâncias Correlatas esclarece que este caso continua sendo investigado e se coloca a disposição para receber qualquer informação que possa auxiliar nos trabalhos investigativos e assim , identificar os autores da tentativa de homicídio contra Cibelly”.

 

 

 

 

 

 

22 anos, geminiano, mineiro, jornalista formado pela UEMG. Apaixonado por música e artes de modo geral. Ex-bailarino na teoria mas danço nas festinhas bastante. Sonho em ser amigo da Rihanna e da família da Beyoncé. Provável futuro ex-bbb e quem sabe vencedor da Fazenda.