Na quarta-feira (27 de maio) Tony McDade, um homem trans e negro, foi morto por policiais em Tallahassee (Flórida, EUA). O caso ocorreu após George Floyd, também homem negro, ser sufocado até a morte por um policial branco.

De acordo com o chefe de polícia de Tallahassee, Lawrence Revell, o caso começou quando um homem foi esfaqueado, a descrição de quem havia cometido o crime era de “um homem negro, todo de preto, armado com uma pistola e uma faca”. 

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A partir da descrição, os policiais confrontaram Tony McDade no “Leon Apartament”, teria sido quando Tony “fez um movimento consistente com o uso da arma de fogo contra o policial, que disparou sua arma, atingindo fatalmente [McDade]”, afirma a versão do delegado.

De acordo com o Gay Times, uma testemunha ocular contradiz o testemunho da polícia, afirmando que:  “andei por aqui, assim que contornei essa curva, apenas ouvi tiros. Vi ele [o oficial] simplesmente pular do carro, abrir a porta e começar a atirar. Em nenhum momento eu ouvi ‘desça, parado, sou da polícia’, nada do tipo. Apenas tiros”. Além disso, outros relatos locais e pelas mídias sociais afirmam que Tony não estava armado e não foi avisado de que o policial iria atirar.

Revell afirma que que “não havia indicação” de irregularidades cometidas pela polícia ou de “motivação racial” para o tiroteio. O oficial não foi ferido e foi colocado em licença administrativa.

“A morte de Tony traz uma revolta nacional e é um lembrete da epidemia de violência que reivindica desproporcionalmente a vida de pessoas transexuais negras nos Estados Unidos”, disse o grupo de defesa LGBT+ “Equality Florida” em comunicado.

“Não existem palavras adequadas para descrever o peso da dor que acompanha a elaboração das declarações para homenagear os negros que foram assassinados como resultado de quem eles são e como eles aparecem no mundo”, escreveu a “National Black Justice Coalition” (NBJC) – Coalizão Nacional de Justiça Negra, em tradução livre.

Pelo menos 11 pessoas trans ou não-binárias (os) foram mortas a tiros ou por outros meios violentos em 2020, de acordo com a Human Rights Campaign, que rastreia a violência anti-trans nos EUA.

“Essa tragédia deve ser um lembrete de que os crimes de ódio contra pessoas negras LGBTQ acontecem com muita freqüência – diversas vezes sem o clamor público nacional que nossos irmãos e irmãs cis e/ou heteronormativos recebem. E a violência está aumentando: houve um aumento de mais de 18% nesses crimes de ódio de 2016 a 2018, e o FBI relata um aumento de 11% nos crimes de ódio contra os negros no mesmo período”, aponta a NBJC.