Perseguido na rua por um sujeito anônimo em mais um crime da LGBTfobia diária que assola o Brasil, o cabeleireiro Jackson Ruan Rodrigues dos Santos, de apenas 23 anos, foi mais uma vítima para as estatísticas de um dos países que mais mata LGBTs no mundo.

Segundo noticiado pelo G1, enquanto andava pelas ruas do bairro Novo Encontro em Juazeiro, norte da Bahia, Jackson foi seguido por um homem homofóbico que saiu de um bar por onde ele passou pela frente, portando um caco de vidro na mão e lhe fazendo ameaças gratuitamente.

“Ele tentava me pegar e eu continuei andando sem dar atenção. Fiquei com medo. Quando ele perguntou se eu era menino ou menina, eu parei e olhei para ele. Então ele veio em cima de mim e quebrou um copo no meu rosto. Eu corri e meus familiares me socorreram. Se eu não tivesse corrido, poderia ter acontecido algo pior. Isso aconteceu a uns 40 metros da casa da minha avó, em um bairro que eu cresci, onde todos me conhecem”, contou o jovem.

A agressão do rapaz acabou deixando Jackson desfigurado. Só não foi pior porque ele conseguiu socorro rápido. A delegacia da cidade ratificou que a ocorrência foi registrada quinta-feira (23) e que está investigando o caso.

Em suas redes sociais, Jackson postou após o ocorrido:

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

“Sinceramente eu não queria falar sobre isso por medo ou vergonha, mas eu preciso desabafar. Sábado à noite, por volta de umas 19h, eu estava indo para casa, saindo da casa da minha avó, quando um indivíduo me seguiu, começou a tirar brincadeiras sem graça comigo e eu sem dar atenção a ele. Ele, por não satisfeito, simplesmente quebrou um copo na minha cara, na rua da casa da minha avó, onde eu fui criado. Tinham pessoas na porta e isso não intimidou ele nem um pouco, eu não tive reação nenhuma porque nem eu sabia porque aquilo estava acontecendo. Só voltei correndo para casa da minha avó, atrás de socorro, ensaguentado no meio da rua. Minhas primas, todas assustadas, sem entender, nada chamaram a polícia.

Até hoje estamos esperando. Samu, a mesma coisa. Fui socorrido por um amigo, às presas porque eu estava perdendo muito sangue. Toda noite quando estou só eu choro só por me fazer uma pergunta e não ter resposta.
– Por que ele fez isso?
– O que foi que eu fiz?
E não consigo entender. Nós somos gays, não pedimos pra ser assim, simplesmente somos.
A gente vê isso acontecendo com os outros e acha que isso nunca vai acontecer com você ou com alguém da sua família, mas a maldade está aí, pessoas ruins existem sim. 
Por tanto, eu não vou me esconder e nem me privar por uma coisa q eu não fiz, muito menos mudar o meu jeito de ser.
EU SOU GAY E ISSO NÃO VAI MUDAR EM NADA.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).