Um estudante do ensino médio de João Pessoa (Paraíba) compartilhou nas redes sociais um vídeo em que a professora de Biologia de sua escola realiza vários comentários LGBTfóbicos durante uma live.

Um aluno disponibilizou ao Põe na Roda os vídeos da live em que a professora Rumanellys Reis propaga o discurso de ódio. Nas filmagens, a bióloga começa falando que “práticas sexuais não reprodutivas, homossexualidade e transgeneridade” vão acabar com a raça humano por não poderem gerar filhos.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

Posteriormente, a professora fala que essas práticas são vistas como “desvio, crime…crime foi forte, quem considera a homossexualidade crime? Aberração, mas a bíblia vê como aberração mesmo, doença, perversão, e é perversão mesmo a bíblia vai definir, imoralidade e pecado, e é pecado mesmo gente”.

“Deus os entregou a paixões vergonhosas, até suas mulheres trocaram suas relações naturais pelas contrárias a natureza (…) da mesma forma os homens trocaram as relações naturais com as mulheres e se inflamaram de paixão uns pelos outros (…) e receberam em si mesmos o castigo pela sua perversão”, falou no segundo vídeo.

Em seu perfil no Instagram, Rumanellys Reis se intitula como professora, bióloga e especialista em Ensino Híbrido e Teologia. De acordo com o estudante, essa não foi a primeira que a ela teria feito discursos ignorantes e de ódio contra LGBTs: “Sempre existiram esses comentários em sala de aula, mas nunca foi tão forte. Um caso em 2018 é bem marcante, ela se referiu às religiões de matrizes africanas como demônios. Ela acabou sendo afastada da turma, mas continuou dando aula”.

A live foi feita no perfil profissional da professora, que já vinha realizando outros eventos virtuais desde o início da pandemia, que chamou de “The Mind”. 

“Comecei a ler um pouco sobre gênero e diversidade sexual, porque hoje A MODA é diversidade e o que fala de pluralidade. Esse pensamento de pluralidade vem das múltiplas verdades, aceitar as múltiplas verdades, que vem dos fundamentos marxistas. E aqui eu faço denúncia de novo: fundamentos marxistas estão sim nas leis educacionais”, afirmou.

Em outro momento da live, Reis disse: “(…) se você se sentir mulher se você é homem? Pelo amor de Deus gente, da onde vem esse ensino, se nem a genética fala isso? Eu estou questionando primeiro com ciência, não quero nem entrar nas questões de Deus ainda. Como que os pais, professores de vocês têm entrado em sala de aula e dito ‘tudo bem você não se sentir homem se você é homem, mulher se você é mulher, seja o que você quiser’? E eu estou questionando cientificamente, XX e XY, se for diferente disso é mutação”.

A professora então compara a questão de identidade de gênero com a aplicação da gramática para objetos: “O que é isso aqui? Caneta, qual o gênero disso? Feminino, a caneta. O que é isso? Copo, qual o gênero? Masculino, o copo. Qual a dificuldade?”

Confira alguns outros momentos da live em que a professora faz comentários LGBTfóbicos:

Em nota, Reis afirmou que: “Ressalto que todas as transmissões concentraram-se em abordar temas pertencentes às minhas áreas de atuação profissional, estando excluídas, portanto, análises psicológica, sociológica e antropológica, o que foi, reiteradamente, dito por mim no curso de explanações. O único intuito da live era tão somente expor o que as Ciências Naturais dizem acerca da constituição do sexo do indivíduo, endossando o que a Bíblia também relata sobre o tema.”

“Ao contrário dos comentários desencadeados nas mais diversas redes sociais, destaco que em nenhuma das minhas falas houve incitação ao ódio, à violência, à ofensa ou à depreciação  dirigidas a qualquer ser humano, o que se compatibiliza com a minha postura profissional ao longo dos 13 anos de exercício do magistério.”

“Por fim, nenhum dos conteúdos expostos por mim dissentem do pensamento científico no campo das ciências biológicas, nem objetivaram desrespeitar membros da comunidade LGBTQI+, os quais, têm o direito à vida, à preservação da dignidade da pessoa humana, à liberdade de expressão, à liberdade religiosa, sendo amados pelo Deus Criador, assim como eu sou.”