Foi divulgado essa semana o relatório “Mapeando Violências Contra Pessoas LGBTI+ no Brasil: uma análise das denúncias do TODXS App”, com base nas denúncias contra a comunidade LGBTI+ recebidas pelo aplicativo da startup.

O relatório foi criado após análise dos dados colhidos do dia 18 de dezembro de 2017 a 27 de dezembro de 2018, onde foram analisadas 161 denúncias. O estudo não tem como objetivo criar uma contestação universal acerca dos dados apresentados.

“Os resultados obtidos, ainda que não generalizáveis, ajudam a dar certos direcionamentos de olhar na construção de políticas, públicas e privadas, de prevenção à violência e à discriminação LGBTIfóbica”, consta no documento.

De acordo com o relatório, 54% das denúncias são referentes à orientação sexual da vítima, 30,4% à LGBTIfobia não-específica, 11,8% se relaciona à identidade de gênero, 2,5% à expressão de gênero e 0,6% advém de uma combinação entre identidade de gênero e expressão de gênero.

Das 143 denúncias que marcaram a realização ou não de um boletim de ocorrência, somente 11 assinalaram que prestaram queixa referente à denúncia reportada ao aplicativo – ou seja, 92,3% das pessoas denunciantes não reportaram o caso aos órgãos públicos competentes.

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“A pessoa LGBTI+ fica com medo de fazer o registro e de, ao fazer o registro, sofrer alguma nova violência e acaba não fazendo por não ter esse amparo por parte do poder público”, justifica o gerente da TODXS Núcleo, Rafael Lelis.

O local em que mais aconteceram as denúncias foi em estabelecimentos (lojas, shopping centers, mercados, escolas públicas e privadas, local de trabalho, igreja, museu e hospital), 54,1% dos casos. A segunda posição é ocupada pelos espaços públicos (lugares abertos, via pública, avenidas, praças, etc), com 23,6%, em seguida, os locais domésticos (14,6%), como condomínio e residência, e, por último, os ambientes virtuais (7,6%), representado pelas redes sociais e aplicativos de relacionamento.

“Pessoas me humilhando por ser lésbica, me oprimindo psicologicamente, eu entrei em depressão depois que entrei naquele colégio por causa disso. Sofro preconceito todo dia, já zombaram sobre meu estilo. Eles não tem limites, eu já tentei suicídio várias vezes, e acabei me viciando em me auto mutilar por causa deles”, relata uma denunciante ao TODXS App.

“Olá! Sou uma mulher transexual e estava na fila do banheiro feminino no Shopping e fui convidada por dois seguranças a me retirar da fila e ir para a fila “correta” segundo eles! Isso aconteceu no meio de dezenas de pessoas que estavam na fila junto a mim! Já entrei em contato com o shopping e estou aguardando resposta do mesmo!”, relata outra denunciante do app.

O relatório foi produzido pela equipe da TODXS Núcleo, que é um centro de pesquisa dedicado a investigações na temática de políticas públicas para a população LGBTI+.

A TODXS é uma startup social sem lucrativos, criada em março de 2016, com objetivo de coletar e processar dados sobre a população LGBTI+ e desenvolver iniciativas de alto impacto social, focadas em três pilares: sociedade, governo e empresas. A organização conta atualmente com mais de 100 membros voluntários.