Tudo que o jovem Clayton Oliveira queria era chegar em casa na última quarta-feira (12). Pra isso, ele fazia uma corrida do bairro Alvorada, na Zona Centro-Oeste de Manaus.

Ele alega ter sido agredido por ser gay pelo motorista do aplicativo 99. Segundo sua postagem no Instagram, deletada porém noticiada antes pelo jornal Em Tempo, ele se sentou no banco do passageiro. No meio do caminho o motorista perguntou se ele era gay, e ao responder que sim, ele levou um soco e ouviu do rapaz que tinha ódio dos gays.

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“Eu disse que sim e então comecei a ser espancado, levando socos e gritos de que ‘viado’ precisa morrer. Ele disse que eu precisava disso e eu só sairia de lá depois de morto. Eu realmente fiquei sem reação, comecei a ficar ensanguentado e perguntando o porquê de aquilo estar acontecendo comigo. Sem mais forças, consegui puxar uma das minhas bolsas, onde estavam alguns documentos e pulei do carro. Fiz isso com o veículo em alta velocidade: ou era isso ou eu estaria morto”, desabafou Clayton nas redes sociais.

O jovem saiu do carro e foi até um posto de combustível pedir ajuda: “Parei em um posto e só sabia chorar. Pedi ajuda, gritei, estava todo deformado e ensanguentado. Está doendo não só pelo físico, mas também pelo emocional. Isso porque no final das contas, eu me senti um lixo pelo simples fato de SER. Não dá para se calar, todo cuidado é pouco. A gente não pode mais morrer!”

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Em entrevista ao jornal Em Tempo, ele contou que teve uma fratura no nariz e ficou com o rosto bastante inchado.

Em seu post, ele justificou a publicação, que sem maiores explicações, pouco depois deletada: “Apesar de me sentir envergonhado de expor meu rosto desse jeito, eu precisava compartilhar isso. Graças a Deus, eu tive coragem de pular daquele carro em movimento, mas sei que nem todo mundo teria feito isso. Agradeço a Deus por estar vivo. Muitas pessoas que já passaram por isso não estão vivas. Espero que esse homem seja preso e seja feita à justiça de Deus também”.

Clayton registrou Boletim de Ocorrência (BO) no 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e realizou exame de corpo de delito no IML, que confirmou os hematomas.

Além das agressões, Clayton ainda acabou perdendo uma mala com roupas, maquiagens, relógios e outros pertences. Seu celular também estava na mala e foi levado pelo motorista. Com uso da função rastreador, ele conseguiu localizar o aparelho  jogado nas proximidades da avenida Max Teixeira.

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Procurada pelo jornal Em Tempo, a 99 afirmou que o motorista já foi descadastrado da plataforma até que a investigação policial seja finalizada. Leia a nota abaixo na íntegra:

“A 99 recebeu a grave denúncia do passageiro Clayton Oliveira envolvendo um motorista da plataforma. Assim que tomamos conhecimento do caso, bloqueamos o condutor imediatamente enquanto a polícia realiza a investigação. Mobilizamos uma equipe que está buscando contato com Clayton para oferecer todo o apoio e acolhimento necessário. A empresa está disponível para colaborar com as apurações das autoridades.

O aplicativo lamenta profundamente o caso e reitera que repudia veemente qualquer atitude preconceituosa ou hostil contra pessoas, seja por conta de orientação sexual ou qualquer outra. Temos uma política de tolerância zero em relação à LGBTFobia.

Esclarecemos ainda que todos os usuários, motoristas e passageiros, devem tratar uns aos outros com boa fé e respeito. Em comportamentos como esse, que vão contra os Termos de Uso da Plataforma, todas as medidas corretivas são adotadas — e incluem o bloqueio definitivo do perfil do agressor.

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A plataforma orienta e sensibiliza os condutores a atenderem a todos com respeito. Passageiros que tenham sofrido qualquer forma de agressão ou discriminação devem reportar imediatamente para a empresa, por meio de seu app ou pelo telefone 0800-888-8999, para que medidas corretivas sejam adotadas. Trabalhamos 24 horas por dia, 7 dias por semana, para cuidar exclusivamente da proteção dos usuários.”

Atualização: Surgiu na Internet um áudio onde supostamente o passageiro teria assediado o motorista… Não se sabe se é real o áudio ou apenas uma tentativa de apaziguar a agressão e homofobia do motorista. De qualquer modo, se o passageiro fez isso de fato, o motorista tem todo direito sim de se sentir desrespeitado, indignado e buscar seus direitos DENUNCIANDO O PASSAGEIRO, indo na delegacia, processando o passageiro, etc. Mas Nada pode justificar uma agressão física ou mesmo homofobia, que não atinge somente a o autor do suposto assédio, mas cria aí ao invés de um crime (assédio), mais dois (agressão e LGBTfobia), além de ofender toda coletividade LGBT com a homofobia.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).