Uma denúncia no Twitter de uma passageira que foi reportada por um motorista de Uber à plataforma por “não estar usando máscara”, está levando a outras denúncias do mesmo tipo. Acontece que os passageiros denunciados – em todos estes casos, pessoas LGBTs – simplesmente não estavam sem usar máscara em qualquer momento.

Ao que tudo indica, por LGBTfobia, motoristas tem usado o recurso de “denúncia por falta de uso de máscara durante a pandemia” apenas para expressarem seu preconceito com passageiros LGBTs.

“Alô @Uber_Brasil, pelo visto seus motoristas que viajam com lgbts e são lgbtfobicos estão ‘notificando falta de máscara’ em casos que não existem. Como vamos continuar tolerando isso?”, questionou um tweet da internauta Bruna Pimenta postado no dia 5 de fevereiro, até agora sem resposta pela empresa.

Antes deste tweet, ela relatou o ocorrido: “E eu que peguei um Uber, aí do nada reclamaram que eu não usei máscara, mas NUNCA saio sem máscara e pensando aqui, pode ter sido alguma situação de preconceito essa reclamação, posso até perder acesso ao aplicativo por isso, um absurdo né e nem posso contestar.”

Camila, uma outra internauta, denunciou a mesma prática: “Aconteceu a mesma coisa com a @manurfuzetti. Recebeu um e-mail falando que o motorista sinalizou que ela estava sem máscara e NUNCA usou Uber sem máscara. Pior é o app não ter como contestar essa informação”.

O youtuber e ativista trans Lucca Najar tentou ajudar as vítimas e também não conseguiu: “Pois é, eu procurei uma forma de entrar em contato com eles e contestar isso, e não tinha”.

Lucca Najar e Bruna denunciaram a Uber no Twitter. (Foto: Reprodução / Instagram)
Lucca Najar e Bruna denunciaram a Uber no Twitter. (Foto: Reprodução / Instagram)

Lucca Najar inclusive acredita ter sido envolvido na situação de Bruna, sua esposa: “A Bru pediu o carro para mim e apareceu o nome dela na solicitação, porém eu entrei no carro. Na hora que entrei o cara falou ‘Bruna?’ respondi ‘isso’. E ele avaliou que eu estava sem máscara no Uber. Para mim não é uma coincidência. E ele não errou na avaliação, foi preconceituoso”, explicou ele no Twitter.

A internauta Emanuelly Fuzeti também não conseguiu reclamar com a empresa sobre o ocorrido: “Também não consegui contato, entendi foi nada, fica a dica de ter a opção de contestar, Uber”.

É uma pena que uma empresa como a Uber, que de fato tem vários programas e campanhas de diversidade, desde empregabilidade trans à distribuição de material anti-LGBTfobia aos motoristas, acabe tendo sua imagem prejudicada por conta da conduta de alguns motoristas. Estes deveriam ser imediatamente banidos da plataforma.

Uber entrou em contato conosco e mandou a seguinte nota:

“Entendemos que o preconceito é um problema que permeia a sociedade e deve ser combatido. A Uber tem uma política de tolerância zero a qualquer forma de discriminação em viagens realizadas em sua plataforma. Definitivamente esta não é a experiência que a Uber deseja oferecer a seus usuários.

A Uber se orgulha em oferecer opções de mobilidade eficientes e acessíveis para todos, bem como uma oportunidade de geração de renda democrática, independente de credo, raça, etnia, orientação sexual ou identidade de gênero.

A Uber fornece diversos materiais informativos a motoristas parceiros sobre como tratar cada usuário com cordialidade e respeito e frequentemente realiza e apoia campanhas em favor da diversidade e do respeito como forma de conscientizar usuários, motoristas parceiros e a sociedade em geral. Nos casos em que usuários sentirem que o tratamento dado pelo parceiro não foi respeitoso, ressaltamos sempre a importância de reportarem esses incidentes à Uber pelo próprio aplicativo, para que possamos tomar as medidas necessárias. Este tipo de comportamento configura violação ao Código de Conduta da Comunidade Uber e toda denúncia é levada muito a sério. Temos uma equipe disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, especialmente treinada para responder a qualquer dúvida ou problema relacionado a incidentes na plataforma.

Para reportar casos de discriminação, basta seguir este passo a passo no aplicativo da Uber: no menu do aplicativo, selecionar a opção “Ajuda”, depois “Problemas com uma viagem específica e reembolsos”. Aparecerá uma tela com todas as viagens realizadas. Selecionar a viagem em questão, clicar na opção “Informar problema de segurança/Emergência” e, em seguida, em “Reportar discriminação”. Na tela seguinte será possível descrever o que ocorreu.”

 

NOTA DA UBER

Entendemos que o preconceito é um problema que permeia a sociedade e deve ser combatido. A Uber tem uma política de tolerância zero a qualquer forma de discriminação em viagens realizadas em sua plataforma. Definitivamente esta não é a experiência que a Uber deseja oferecer a seus usuários

A Uber se orgulha em oferecer opções de mobilidade eficientes e acessíveis para todos, bem como uma oportunidade de geração de renda democrática, independente de credo, raça, etnia, orientação sexual ou identidade de gênero.

A Uber fornece diversos materiais informativos a motoristas parceiros sobre como tratar cada usuário com cordialidade e respeito e frequentemente realiza e apoia campanhas em favor da diversidade e do respeito como forma de conscientizar usuários, motoristas parceiros e a sociedade em geral.

Nos casos em que usuários sentirem que o tratamento dado pelo parceiro não foi respeitoso, ressaltamos sempre a importância de reportarem esses incidentes à Uber pelo próprio aplicativo, para que possamos tomar as medidas necessárias. Este tipo de comportamento configura violação ao Código de Conduta da Comunidade Uber e toda denúncia é levada muito a sério.

Temos uma equipe disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, especialmente treinada para responder a qualquer dúvida ou problema relacionado a incidentes na plataforma.

Para reportar casos de discriminação, basta seguir este passo a passo no aplicativo da Uber: no menu do aplicativo, selecionar a opção “Ajuda”, depois “Problemas com uma viagem específica e reembolsos”.

Aparecerá uma tela com todas as viagens realizadas. Selecionar a viagem em questão, clicar na opção “Informar problema de segurança/Emergência” e, em seguida, em “Reportar discriminação”. Na tela seguinte será possível descrever o que ocorreu.

Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).