O nome de Diogo da Silva Paz, um homem gay de 30 anos, tomou as redes sociais neste final de semana após ele ser vítima de espancamento no no último domingo (13). O crime aconteceu no bairro da Liberdade em São Paulo, mas explicações mal dadas pela polícia e autoridades competentes cercam a morte do rapaz.

Diogo estava desaparecido há pelo menos cinco dias e, pelas redes sociais, fotos estavam sendo divulgadas na tentativa de localizá-lo. Enquanto isso, segundo consta em seu boletim de ocorrência, o jovem chegou ao Hospital do Servidor Público Municipal as 10:45 vítima de espancamento ainda com vida e chegou a comunicar aos médicos o endereço e telefone de sua família.

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Acontece que após morrer por lesão pulmonar decorrente da violência sofrida, seu corpo foi tratado como de um indigente em uma gaveta do IML por 5 dias. Se não fosse um amigo conseguir localizá-lo, ele teria tido o destino de uma vala comum sem um sepultamento digno.

Para deixar a história ainda mais estranha, pra dizer o mínimo, o laudo de sua morte no IML está descrito como “morte acidental decorrente de doença”, porém ele deu entrada no hospital acometido de um espancamento que teve como consequência a sua morte. Tudo indica que autoridades tenham tentado de tudo para afastar possíveis investigações por espancamento. Mas por que?

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Ainda segundo informações do perfil “Movimento Lute Com Ele” do Instagram, questionado por Jared, um amigo de Diogo, um policial civil disse que ele deveria ir na delegacia da Aclimação, onde foi lavrado o boletim de ocorrência.

Jared então questionou o porque na delegacia se não no DHPP (Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoas): “Ele não morreu de doença, isso foi um assassinato!”. O delegado respondeu, que a morte foi lesão pulmonar e que o jovem poderia ter morrido decorrente de ter pego uma doença. Como?!

Campanha #JustiCaPorDiogoPaz quer justiça por jovem gay morto por espancamento. (Foto: Reprodução / Twitter)
Campanha #JustiCaPorDiogoPaz quer justiça por jovem gay morto por espancamento. (Foto: Reprodução / Twitter)

Amigos próximos cogitam até que Diogo possa ter sido vítima de uma agressão homofóbica e a próprias autoridades tenham feito vista grossa ao caso, isso se não tiveram algum envolvimento direto. Em um país onde as forças de segurança pública assassinam negros, LGBTs e outras minorias diariamente, infelizmente não seria de surpreender e faria todo sentido junto ao sumiço do corpo e tentativa de ocultar a verdadeira causa da morte do rapaz: a violência homofóbica.

Um outro amigo que preferiu manter o anonimato declarou: “Foi um assassinato, Diogo foi vítima de espancamento e quem fez isso terá que pagar. A Polícia Civil está investigando e vamos cobrar por Justiça”.

“Diogo, 30 anos, negro e gay. Foi espancado e MORTO no bairro Liberdade em São Paulo e não querem considerar como assassinato.  Ele ficou 5 dias no IML como indigente e no laudo consta ESPANCAMENTO E ASFIXIA. Ele não pode ser mais uma estatística…”, disse um perfil no Twitter protestando pelo caso.

“Diogo foi assassinado duas vezes. Uma pelo(os) autor(es) do crime. E outra, pelo o sistema que se recusa a investigar, que acha empecilhos para não irei atrás dos culpados e chegam até relatar que o um jovem que dar entrada em um hospital vítima de espancamento por terceiro, mais cinco horas depois, morre de doença”, protestou Robhério Limma, criador do Movimento Lute Com Ele.

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E continuou: “O mesmo jovem que ainda chegou com vida e deu aos médicos informações do seu endereço e telefone, morre e esconderam seu corpo numa gaveta de necrotério afim de enterra-lo como indigente por qual razão?A ideia é aniquilar a nossa existência! É fazer a gente adoecer! É muito doloroso a gente passar o ano todo denunciando a existência do racismo, da LGBTIFOBIA e sempre ter alguém para desqualificar o nosso discurso. A própria justiça se faz de cega e segue também com um sistema de opressão e que funciona exatamente por acreditar que uma raça deve seguir tendo privilégios em detrimento de outra.”

Os pais de Diogo são moradores do bairro Guanabara, em Rio Claro. Após serem comunicados pelo seu amigo que conseguiu localizar o corpo no IML, foram até São Paulo onde cuidaram da liberação do corpo, que foi trazido para sepultamento no cemitério São João Batista na manhã deste sábado (19).

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A família mal conseguiu se despedir de Diogo pois além de caixão lacrado, o velório não pôde acontecer devido ao avançado estado de decomposição pela maneira como foi tratado o corpo da vítima em tantos dias de total descaso.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).