A estudante de medicina Jô Magalhães foi considerada suspeita de fraudar a cota para transexuais e teve a matrícula anulada pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Ela acusa a universidade de falta de transparência e diz que houve uma injustiça na decisão.

“Não respeitaram minha identidade de gênero. Decidiram a qualquer custo que iriam me tirar de lá. A UFSB me destrói, mas isso tudo só serviu para me libertar das amarras da sociedade machista e transfóbica. Eles definiram que eu seria um ‘judas para dar exemplo’, mas não se preocuparam com o lado humano. Em nenhum momento do processo a UFSB deixou claro que bases usaram para definir minha transgeneridade ou não. Foi um processo injusto” declarou a estudante em entrevista ao portal Me Salte.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:
Estudante transexual é acusada de fraldar cota trans e expulsa de universidade baiana (Foto: Reprodução/ Instagram)
Estudante transexual é acusada de fraldar cota trans e expulsa de universidade baiana (Foto: Reprodução/ Instagram)

Jô afirma que a comissão julgadora foi formada por um grupo de professores  LGBTQIA+ e que eles foram responsáveis por elaborar um relatório apontando sobre qual seria sua identidade de gênero. A estudante protesta contra a decisão e diz que a instituição agiu incorretamente.

VEJA TAMBÉM:  EUA proíbe hasteamento da bandeira LGBT no topo das embaixadas no mês do Orgulho LGBT

“Não conheceram a minha casa, não conversaram com meus amigos, não procuraram meu familiares, nada. Apenas disseram o que quiseram e pronto” disse Jô.

A jovem declarou que tomará as medidas judiciais cabíveis para seguir no curso.

“Quando a UFSB determina que minha identidade de gênero não é minha e subjetiva e é ela quem o define, ela me mata, mata minha liberdade, mata minha alma. E hoje não estou disposta a voltar atrás e matar mais uma vez a Joana como fiz no passado, se alguém tiver que morrer que morra a carne, não só a alma”, finalizou a moça.

Nota da Universidade Federal do Sul da Bahia

A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) disse em nota que  o cancelamento da matrícula da estudante foi motivado por uma ‘ocupação indevida de vaga destinada à pessoas trans’. Segue a íntegra da nota:

VEJA TAMBÉM:  JK Rowling apaga elogio a Stephen King após autor dizer que "mulheres trans são mulheres"

A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), a respeito do caso em tela, informa que: i) após corridas todas as etapas do processo originado por denúncia  de ocupação indevida de vaga supranumerária destinada à pessoas Trans egressas de escola pública, por meio da Ouvidoria da instituição; ii)  tendo garantido todos os prazos recursais e o amplo direito de defesa à estudante nas instâncias asseguradas pela legislação e pelo Comitê de Acompanhamento de Políticas de Cotas (CAPC), indicadas na Resolução Consuni 26/2019; iii) o Conselho Universitário, em reunião extraordinária realizada na última sexta-feira (11) pela manhã para análise do recurso impetrado em segunda e última instância, deliberou pela manutenção do cancelamento da matrícula da estudante.