O Conselho Escolar Católico do Distrito de Waterloo (WCDSB), em Ontário (Canadá) cedeu a pressão de ativistas ultraconservadores sobre sua decisão de usar uma versão alternativa da bandeira do arco-íris para celebrar o Mês do Orgulho LGBT+.

O desenho apresentava uma imagem de Jesus acima de uma série de figuras coloridas representando um arco-íris, ao lado das palavras: “Todos nós fomos maravilhosamente feitos. Nos amamos, porque ele nos amou primeiro.”

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Os fundamentalistas acusam a diretoria da escola católica de “crucificar Jesus” com a bandeira do orgulho. A mensagem pró-LGBT+ levemente implícita provocou indignação por parte da organização fundamentalista “Campaign Life Coalition”, que pediu para os apoiadores ligarem e mandarem e-mails para reclamando com o conselho.

O grupo descreveu a bandeira como “sacrilégio e um escândalo obsceno”, alegando em uma petição pública que “sutil, mas inconfundivelmente, homenageia o Mês do Orgulho Gay, no qual o grave pecado da sodomia será exaltado”.

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A petição continua: “são os pecados graves, como a sodomia, que enfiaram as unhas no corpo sagrado de nosso senhor na cruz! Por que alguma instituição católica iria querer crucificá-lo novamente, contaminando seu mês de junho com uma bandeira, ainda que sutilmente projetada, incentiva a atos pecaminosos?”

O presidente do grupo, Jeff Gunnarson, acrescentou que o conselho escolar está reforçando a “mentira” de que “os gays nascem assim”, a fim de “normalizar a homossexualidade nas mentes do público”. Apesar da retórica extremista dos ativistas, o conselho escolar não planeja mais continuar com a campanha.

Em uma declaração pública, o conselho afirmou: “depois de receber o feedback da comunidade em geral – mas, mais importante, também de alguns de nossos alunos – fica claro que a decisão de exibir uma imagem desenvolvida na província em uma bandeira durante junho, para marcar o mês do Orgulho, que pretendia enviar uma mensagem de unidade e apoio, levou à divisão”.

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“Por respeito sincero a todos os pontos de vista compartilhados, o conselho escolar não exibirá nenhuma bandeira durante o mês do Orgulho”, afirma a declaração.

A bandeira continuará sendo exibida nos vestíbulos da escola, apesar de não ter sido hasteada, e o conselho escolar vai consultar a comunidade LGBT+ sobre os próximos passos a serem tomados para o Mês do Orgulho de 2021.

A “Campaign Life Coalition” comemorou a decisão, dizendo: “agradecemos a todos os apoiadores da CLC que fizeram nosso chamado urgente à ação sobre o testemunho anticristão do conselho. Aqueles de vocês que assinaram nossa petição ao bispo Douglas Crosby, que telefonou e enviou um e-mail para seu escritório, podem ter tido um impacto na decisão da escola”.