A partir desta segunda-feira (4) a Itália vive uma nova etapa no combate ao coronavírus, com a flexibilização das regras de isolamento social. A chamada “fase dois” do enfrentamento ao Covid-19, que permite a visita a parentes próximos desde que seja respeitada as regras de proteção, gerou polêmica entre a comunidade LGBT+ do país.

O problema se baseia no conceito da palavra “parente”, que, por lei, inclui pessoas com vínculo legal ou de sangue, ou seja, família, cônjuges, coabitantes, noivos e afetos estáveis. A medida não específica ou abrange o termo, o que exclui o direito de encontro entre namorados, amigos e casais fora da união estável. 

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

Gabriele Piazzoni, secretário-geral da organização gay Arcigay, afirma que “o fato de a flexibilização das restrições às relações sociais se limitar à definição de ‘parentes’, que em nossos códigos se refere inequivocamente à dimensão formal de parentesco, sangue ou adquirido, representa uma situação inédita e inaceitável”.

A senadora do Partido Democrático (PD), Monica Cirinnà, afirma que não concorda “com a opção de limitar as visitas com segurança apenas a parentes, porque isso não leva em conta a pluralidade de experiências e afetos”. 

Cirinnà acrescenta que “Existem relacionamentos significativos que vão além dos laços legais e de sangue, e relacionamentos que atravessam as fronteiras das regiões. Penso antes de tudo na situação de algumas famílias separadas, na condição de casais que não coabitam ou em famílias LGBTI não reconhecidas, mas também em muitos laços de afeto entre pessoas solitárias, que são ignorados pelo decreto”.


Segundo a associação Centro Gay, o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, discrimina, novamente, a comunidade LGBT+ com o decreto. “[Muitas pessoas da comunidade] costumam estar isoladas de suas famílias e parentes e construíram suas vidas em uma rede de amizades que muitas vezes substituem e compensam a falta de afeto de suas famílias”, ressalta o porta-voz da organização, Fabrizio Marrazzo.