Majur, artista trans que se identifica como pessoa não-binária, fez uma publicação nas suas redes sociais criticando a mais nova febre do FaceApp: a troca de gênero.

Segundo ela, a estética da brincadeira é totalmente padronizada: homens viram mulheres de cabelos grandes e com maquiagem e elas ganham cabelos curtos e barba.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

A voz de “AmarElo” pediu para que seus seguidores parassem de usar o aplicativo, que inclusive é investigado de roubo de dados de seus usuários.

“Meu feminino não é rosto afilado e cabelo liso. O masculino não é ter barba e ser malhado. Estereotipar um corpo feminino e masculino é definir padrão, quando vivemos em diversidade. A nossa vivência enquanto corpo é um processo doloroso, que é alvo desde o princípio, do preconceito e as diversas fobias externas.”

Confira a publicação completa de Majur:

Enquanto isso, a também ativista trans, Helena Vieira, discorda da opinião compartilhada por Majur. 

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Em uma extensa thread no Twitter, ela refletiu sua opinião sobre o assunto: “Não vejo como esse FaceApp e as brincadeiras feitas com ele possam ser transfóbicas. Penso que além de não haver transfobia é o seu exato oposto, uma grande paródia de gênero, uma explicitação do caráter tecnológico e construído daquilo que entendemos como homem ou mulher”.

Adiante ela continua: “O gênero é uma tecnologia social, uma dessas ficções políticas encarnadas que insistem em parecer naturais, verdadeiras, ahistóricas e profundas. Não há nada no gênero além dos estereótipos que o produzem, dos signos sociais que acoplados ao corpo fundam a identidade como realidade subjetiva, corporal, como ” verdade verdadeira”. “Ah, mas o aplicativo usa padrões cissexistas”. Óbvio, quais padrões de gênero não são cissexistas? A própria organização social do gênero implica em processos de correção e adequação cisgênera.

Ah, mas o aplicativo causa disforia em pessoas trans”. Essa é uma discussão bastante séria. Mas que ganhamos em descrever nossas experiências e sentimentos com relação ao nosso corpo em termos patológicos e patologizantes? Se as normas e padrões de gênero se constituem como idealidades organizadoras da corporalidade no mundo, então, o sentimento de inadequação é constante e muito democrático, não é uma exclusividade trans”

Então, Helena faz uma comparação da “montação do faceapp” à arte drag: “E pelo que sei, a medicina insiste em dizer que a inadequação trans tem algo de especial. Quais mulheres e homens não se sentem insatisfeitos com seus corpos? Se este app corresponder a “transfobia recreativa” então as práticas de montação drag também são.

O fato de que pessoas cisgenero possam levar o gênero menos a sério, brincar de transição, significa por em ação outras forças, a força da imaginação política de não ser homem ou não ser homem, de vislumbrar um corpo outro oculto no corpo presente.

Ela então conclui: “Por favor, né, gente? Brinquem a vontade de mudar de gênero, de idade, de tudo. Acostumem-se que seus corpos não são ‘verdades verdadeiras verdadeiríssimas” e nossa, que paixão pela identidade.” e por fim lembra o principal problema do aplicativo e que muitos não se lembram: “O app tem problemas de outras ordens, isso tem, da seguranças de dados ao embranquecimento das pessoas, agora, transfobia? Tem não.”

Veja abaixo seu tópico na íntegra:

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E aí, com qual problematização você concorda? Seria ou não o Faceapp transfóbico?

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22 anos, geminiano, mineiro, jornalista formado pela UEMG. Apaixonado por música e artes de modo geral. Ex-bailarino na teoria mas danço nas festinhas bastante. Sonho em ser amigo da Rihanna e da família da Beyoncé. Provável futuro ex-bbb e quem sabe vencedor da Fazenda.