Oito em cada 10 LGBT+ sofreu algum tipo de abuso online nos últimos cinco anos. Desses, 63% sofreram ameaças de violência física por trolls.

Essas são as duas principais conclusões de um novo relatório divulgado hoje pela organização de caridade de crimes de ódio LGBT+ do Reino Unido, Galop.

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A pesquisa também descobriu que as pessoas trans eram mais propensas a sofrer abuso online: um número de 93% das pessoas trans sofreu algum caso de discriminação virtual, comparado a 70% das pessoas LGBT+ cisgêneros.

E o abuso é tão grave que está enviando algumas pessoas LGBT+ de volta ao armário nas redes sociais. O relatório aponta que quatro em cada dez pessoas passaram a usar menos as contas online após os ocorridos. Enquanto um em cada cinco removeu as informações LGBT+ dos perfis ou deixou completamente as mídias sociais.

A maioria das vítimas sofreu mais de uma vez o ódio online. Metade experimentou preconceito mais de 20 vezes e cerca de um quinto relata ao menos 100 incidentes.

Como é o ódio online?

As cinco formas mais comuns de abuso online contra pessoas LGBT+ são:

  • Insultos: 97% dos casos
  • Ameaças de violência física: 63%
  • Ameaças de violência sexual: 41%
  • Ameaças de morte: 39%
  • Exposição da sexualidade: 34%

Os entrevistados também relataram outros exemplos dos tipos de ódio que sofreram: assédio, mentiras, sendo ridicularizados, sofrendo com a vergonha, incentivando o suicídio, perseguições, intimidações e exposição pornográfica.

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Um comentou: “É esse constante baixo nível de ódio que eu fico a mercê online, essa é a pior parte”. 

As pessoas da pesquisa também disseram que o ódio costumava vir de outras pessoas LGBT+. Um deles disse: “Me irrita que haja tanto ódio dentro da comunidade LGBT um com o outro”.

Sem surpresa, os transfóbicos estão entre os piores criminosos. Uma vítima disse: “Como uma mulher trans online, eu e muitas outras mulheres trans recebemos centenas de ligações de feministas radicais, estupradores e pedófilos. Os piores incidentes envolveram ameaças de me denunciar à polícia sob acusações falsas de ‘homem estuprador’”.

Mundo real e ataques violentos

Os pesquisadores também descobriram que o ódio online se espalhou pelo mundo real, com sérias conseqüências.

Uma vítima disse: “Depois que eu saí do armário online, minha família me deserdou e me expulsou. Agora moro com a família do meu parceiro”.

Outro disse: “Eles entraram em contato com meu empregador e tentaram me demitir”.

Em outros casos, isso se transformou em violência física.

Outra vítima comentou: “As ameaças online de violência logo se tornaram reais e eu fui agredido quando participava de um grupo de jovens”.

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E outro revelou: “Depois de receber ameaças online, me ameaçaram pessoalmente e fui agredido várias vezes”.

Vítimas de ódio online se culpam

A maioria não denuncia o ódio online, muitas vezes porque frequentemente eles querem apenas esquecer o ocorrido.

Apenas 44% compartilharam o caso em alguma rede social e apenas 7% denunciaram à polícia. E quando fizeram a denuncia, a maioria não fica feliz com a resposta. O estudo mostra que 68% ficaram insatisfeitos, relatando que a polícia não tomou medida alguma.

Dos que compartilharam o relato nas redes, 73% ficaram descontentes porque nada aconteceu. A maioria dos casos de abuso ocorreu no Facebook e no Twitter. Mas isso pode ser porque, aponta a pesquisa, essas plataformas são as mais populares entre os pesquisados.

Em alguns casos, as vítimas acabam se culpando.

Os pesquisadores descobriram que um quarto das vítimas se culpa e um terço adquirem comportamento auto isolante em resposta ao trauma. 

Três quartos das vítimas respondem com raiva. Mas 40% ficam deprimidos e dois terços sofrem com ansiedade.

Uma vítima disse: “A enorme quantidade de comentários me fez odiar minha sexualidade. Eu tinha muito orgulho disso, mas agora odeio como e quem eu amo”.

Enquanto outro disse: “Isso me levou a ter dúvidas sobre minha identidade e me sentir culpado por ser um homem trans. Também me fez sentir nojento e envergonhado”.

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Além disso, as pessoas disseram que se separaram do mundo LGBT+ e “se esconderam”. E para alguns, foi ainda pior: “após os incidentes, eu me tornei suicida e tentei tirar minha própria vida”.

Enquanto isso, outro acrescentou: “Eu me machuquei devido ao nojo e culpa de todos os insultos e comentários que recebi”.

Ambientes hostis

Os responsáveis pelo estudo apontam que o ódio online está envenenando o discurso social. Em uma declaração divulgada com o relatório, a organização acrescentou: “apesar do progresso nos direitos LGBT+, as plataformas online permanecem ambientes hostis para muitas pessoas LGBT+”.

“Na Galop [empresa responsável pelo estudo] valorizamos a liberdade de expressão. No entanto, a liberdade de expressão é cada vez mais usada como uma folha de figueira para legitimar o ódio”.

E Nik Noone, executivo-chefe da Galop, colocou os números no contexto do aumento do crime de ódio anti-LGBT+ desde o referendo do Brexit em 2016.

Ele disse: “O crime de ódio anti-LGBT+ dobrou nos últimos três anos. Isso se reflete na escala crescente, na gravidade e na complexidade dos casos de ódio online que apoiamos”.

Os pesquisadores pesquisaram 700 pessoas LGBT+ no Reino Unido.

Matéria traduzida do site Gay Star News. Para ler a versão original em inglês, clique aqui.