Karol Eller,  a youtuber lésbica e que ficou conhecida por se posicionar contra o movimento LGBT e a favor de Bolsonaro nas redes sociais – mesmo este sendo assumidamente homofóbico – se pronunciou sobre a agressão homofóbica sofrida no último domingo (15) em um quiosque na orla da Barra da Tijuca, e garantiu que o caso não foi homofobia.

Abordada por um rapaz chamado Alexandre da Silva, que chegou perguntando “Isso é homem?” e “Como você consegue namorar um mulherão desses, hein?”, Karol acabou sendo agredidas com socos e pontapés, segundo informações divulgadas pela imprensa.

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Entretanto, a vítima nega que a motivação do crime tenha sido homofobia exclusivamente. Mas a própria delegada que analisa o caso garante que o acontecido configura crime de homofobia, uma vez que a agressão teve xingamentos homofóbicos, questionamento de seu visual masculinizado e julgamento da presença da namorada –  a policial civil Suellen Silva dos Santos – que estava junto dela no momento.

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“Ele não bateu em mim só por isso (homofobia). Tenho certeza que ele faria o mesmo com outra mulher não gay ou até mesmo outro homem”, afirmou a influenciadora na entrevista para a revista Época.

E continuou: “Ele assediou minha namorada. Disse palavras de baixo calão pra mim. Me chamou de sapatão. Me provocou dizendo (repetidas vezes): Você não é homem? Você é muito macho?”, disse Karol sobre o crime de homofobia que ela nega ter acontecido por homofobia.

Não, Karol. Pra começo de conversa, se você fosse uma mulher hétero (cis), o rapaz jamais teria falado “Como você consegue namorar um mulherão destes” pra sua namorada (isso nem teria como ocorrer!). E só o fato do cara chegar perguntando “Isso é homem?” sobre uma lésbica de visual extremamente masculinizado (e que tem todo direito de assim ser se estiver mais a vontade e feliz consigo) – algo que dificilmente uma mulher hétero com seu namorado receberia como questionamento – prova a homofobia.

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Na Internet, houve afirmações de que Karol seria contratada especial da EBC, ganhando R$ 11 mil reais mensais do próprio governo, o que explicaria seu apoio incoerente e incondicional à bolsonaristas e o fato dela negar existir homofobia.

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Na Internet, muitos lembraram do cargo público de Karol.

Procurado pela revista Época, o autor das agressões Alexandre Silva se defendeu e ainda teve a coragem de dizer que não é homofóbico: “Não a ofendi com palavras de baixo calão. A tratei com muito respeito. Sou pai de família. Não sou homofóbico e não sou esquerdista”, disse tentando se defender (sempre sob a desculpa de ser  ‘pai de família’ pra justificar tudo essa gente, né?).

Alexandre Silva ainda garantiu que a agressão partiu de ambos os lados: “Foi uma agressão mútua. Ela veio pra cima de mim, drogada. Sabe que uma pessoa drogada fica muito agressiva? Fica muito mais forte? Ela me agrediu e eu a agredi. Foi isso que aconteceu e nada mais.”.

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Karol pode negar a homofobia pra não contradizer seus discursos bolsonaristas de que “homofobia não existe” e é tudo “mimimi” e vitimismo” como vive dizendo nas redes sociais há muito tempo, mas a própria delegada que cuida do caso desmentiu a vítima, garantindo se tratar de um crime homofóbico.

“Se trata de um caso típico de homofobia sem ligação com a militância da vítima (como foi divulgado em várias fake news na Internet). De acordo com os depoimentos, os agressores chamavam a Karol Eller o tempo todo de sapatão e demonstravam claramente preconceito. Já requisitamos os exames de corpo de delito de todos os envolvidos e vamos fazer diligências para localizarmos câmeras que possam ter flagrado a confusão a possíveis testemunhas do fato”, disse a delegada Adriana Belém, do 16ª DP, que investiga o caso.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).