Uma juíza do Texas que se recusa a casar com casais homoafetivos teve a audácia de entrar com uma ação contra a agência estadual que a supervisiona por má conduta judicial.

Juíza de Paz, Dianne Hensley trabalha em Waco, no Condado de McLellan. Cristã devota, ela entrou com uma ação coletiva para permitir que ela e outros juízes de paz no estado possam se recusar a casarem casais de gays e lésbicas.

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Ela está sendo apoiada pelo First Liberty Institute, uma organização que ajudou outras pessoas a lutar para expressar suas crenças religiosas, vulgo, seus preconceitos em um Estado laico, vale lembrar.

Em 2015 ficou decidido pela Justiça dos EUA que casais homoafetivos poderiam se casar no país em igualdade aos casais heterossexuais. Desde então, alguns oficiais e juízes deixaram de realizar cerimônias de casamento porque acreditam que ter que casar gays e lésbicas contraria suas crenças religiosas.

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No Texas, a realização de casamentos é um dever opcional para os juízes de paz. Entretanto, realizá-las pode ajudar os oficiantes a ganhar milhares de dólares em renda extra.

Hensley conduziu mais de 300 cerimônias de casamento desde agosto de 2016 – tudo para casais héteros. Só que se o escritório dela fosse abordado por algum casal gay, eles receberiam um documento explicando seu motivo de recusar e fornecia uma lista de outras pessoas que poderiam realizar a cerimônia.

À uma TV local ela disse quando entrevistada: “Não desejo ofender ninguém, mas a última pessoa que quero ofender é Deus”.

Em 2 de dezembro, a Comissão de Conduta Judicial dos EUA emitiu um aviso a Hensley dizendo que sua recusa em realizar casamentos entre pessoas do mesmo sexo coloca “dúvida sobre sua capacidade de agir de forma imparcial com as pessoas que se apresentam perante ela como juíza devido à orientação sexual da pessoa”.

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Hensley então teve seu cargo ameaçado caso continuasse se recusando a casar casais homoafetivos.  Sua reação ao aviso da comissão agora foi revidar a ação legal, dizendo que a ação disciplinar contra ela constitui uma violação de seus direitos sob a Lei de Restauração da Liberdade Religiosa do estado.

Em uma ação apresentada ontem no 170º Tribunal Distrital do Estado de Waco, Hensley está buscando US $ 10.000 em danos e uma decisão que a comissão violou seus direitos religiosos.

Ela quer poder continuar se recusando a se casar com casais homoafetivos e quer o mesmo direito para outros juízes que pensem o mesmo.

Hensley insiste que qualquer pessoa que queira se casar no Condado de McLellan pode fazê-lo, desde que ela indique quem realiza a cerimônia.

Em uma declaração à KXXV, ela disse: “Busquei uma solução para que qualquer pessoa no Condado de McLennan que queira se casar possa fazê-lo. Eu sempre seguirei a lei.”

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Em uma declaração à imprensa sobre sua ação civil ontem, ela acrescentou: “Por fornecer uma solução para atender a uma necessidade em minha comunidade e permanecer fiel às minhas crenças religiosas, recebi um ‘aviso público’. Ninguém deve ser punido por isso.”

Em duas frases curtas e grossas um conselho pra bonita? O Estado é laico e os direitos iguais! Vai ser pastora e não juíza então, PORRA!

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).