J.K. Rowling voltou a gerar polêmica na internet após mais um tweet transfóbico. Na publicação, a escritora compartilhou uma matéria que reunia raras histórias de pessoas que destransicionaram, ou seja, após se identificarem como homem ou mulher trans e passarem por processos hormonais e físicos de readequação, voltaram atrás.

“Receio que as mulheres detransicionadas que entrevistei sejam ‘canários em mina de carvão’ [alguém correndo risco, alvo fácil]. Não apenas para detransicionadores, mas também para mulheres. Todas elas, em alguma combinação, acharam que ser mulher é muito difícil, perigoso ou nojento demais – Laura Dodsworth”, escreveu Rowling no post parafraseando a reportagem.

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É inegável que existem pessoas que por diversos motivos psicológicos, falta de acesso e acompanhamento, entre outras razões, decidem voltar atrás com a transição por perceberem que talvez aquilo não seja a forma de identificação que as representam. No entanto, devido ao histórico recente de J.K. Rowling, parece ser mais uma tentativa de questionar ou desqualificar determinadas vivências trans.

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Curiosamente, J.K. Rowling se esquece, pra ser honesta, de citar o número – maioria esmagadora – de pessoas que transicionam e assim adquirem paz de espírito e deixam quadros graves de depressão e tendência ao suicídio. Com nenhuma destas ela parece preocupada enquanto fica falando em dados contra a transição e que só fomentam mais transfobia e ignorância com falsas simetrias.

Vários usuários responderam criticando duramente a postura da autora em usar esse tipo de argumentação:

“Usar as experiências válidas dos detransicionados e re-transicionados como argumento contra o acesso a cuidados de saúde trans seguros e eficazes é o mesmo que usar as experiências válidas daqueles que se arrependem do aborto para negar o acesso ao aborto. A autonomia do corpo é um direito humano fundamental”, escreveu um usuário em resposta.

“Quão miserável é sua vida que tudo o que seu cérebro sabe fazer agora é derrubar uma das comunidades historicamente mais marginalizadas que existe? Vai viver”, comentou outro usuário.