O diácono anglicano Michael Coren escreveu um artigo para lembrar aos fiéis cristãos que Jesus nunca disse literalmente nada contra a homossexualidade.

O reverendo nasceu em uma família secular e se converteu ao catolicismo romano nos seus vinte anos, quando ainda falava contra a homossexualidade.

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Mas em 2014, ele se converteu ao anglicismo e disse em uma entrevista de 2015 que uma das principais razões para sua conversão foi justamente o tratamento dado pela Igreja Católica aos gays.

Um ano depois, ele publicou seu livro Epiphany: A mudança de coração e mente de um cristão sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, no qual ele explora como não foi sua própria sexualidade ou um membro da família que mudou sua idéia sobre a homossexualidade, mas sim o fato dele ter estudado a Bíblia sobre esta questão específica.

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Na coluna escrita para o The Spectator, ele fala sobre a “confusão sobre a aceitação LGBT e o casamento igualitário” na Igreja da Inglaterra e na Igreja Católica, afirmando que não faz sentido isso, uma vez que Jesus não diz absolutamente nada sobre homossexualidade em toda sua existência.

“Os versos Antigo Testamento, as Escrituras Hebraicas, são invariavelmente citados, mas com muito pouco entendimento do que eles significam e com erros de tradução”, diz ele sobre o Velho Testamento, que vale lembrar, também condena coisas banais como fazer a barba, comer frutos do mar, carne de peixe, mulher de usar jóias ou ter opinião, ou ainda casar sem ser virgem, costumes que hoje em dia por exemplo não fazem o menor sentido seguir à risca.

A história do Gênesis de Sodoma e Gomorra é um favorito particular dos homofóbicos, com Sodoma sendo supostamente destruída por causa de sua população homossexual.

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“No entanto, a história não é realmente sobre sodomia, e dificilmente pode ser um conto de moralidade sexual quando Lot, um de seus heróis, oferece à multidão suas duas filhas virgens no lugar de seu convidado do sexo masculino”, lembra o reverendo.

Ele explica ainda que os pecados de Sodoma e Gomorra foram apenas interpretados como “maldade da homossexualidade“ pelo Papa da igreja no século 11.

Coren continuou: “Quando as Escrituras Hebraicas mencionam a homossexualidade – são apenas homens, e o lesbianismo é sempre ignorado -, geralmente diz respeito à necessidade de procriação para preservar a tribo e não tem relevância para o que agora conhecemos”.

Ele continua: “Também vale lembrar que, se queremos abraçar sem crítica todos os ensinamentos do Antigo Testamento, temos de justificar o genocídio, a escravidão e a venda dos filhos em cativeiro… Como cristão e clérigo ordenado, acredito que podemos levar a Bíblia a sério ou literalmente, mas não podemos fazer as duas coisas.”

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O próprio Jesus não menciona a homossexualidade nem uma vez, nem no antigo nem no novo testamento, e de acordo com Coren é “realmente extraordinariamente indiferente à vida sexual das pessoas ao seu redor”.

Ele acrescentou: “A quintessência dos Evangelhos é graça e compaixão, o triunfo do amor sobre a lei, e se um grupo provoca Jesus à ira, são aqueles que insistem em julgar os outros… Jesus, o rebelde, certamente não estaria interessado em quem amamos , mas que nós amamos”.

Fonte: PinkNews

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).