Um profissional de saúde que fugiu da discriminação anti-LGBT+ no Zimbábue disse que seu pedido de asilo na Irlanda foi rejeitado porque ela não “parecia bissexual”.

Constance, cujo nome foi mudado para proteger sua identidade, disse à CNN que fugiu do Zimbábue por causa do sentimento anti-LGBT+ generalizado – mas ela ficou com o coração partido quando o Departamento de Justiça da Irlanda negou seu pedido de asilo, mesmo sendo uma trabalhadora de linha de frente.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

A trabalhadora do lar de idosos foi informada de que seu motivo para deixar o Zimbábue não batia porque ela não “parecia bissexual”. Constance apelou de seu pedido por motivos humanitários depois de receber sua primeira rejeição. Por meio desse processo, ela conseguiu comprovar seu bom caráter e conduta na Irlanda.

Ela acreditava que seu trabalho como profissional de saúde em uma casa de repouso fortaleceria sua aplicação, principalmente devido à pandemia do COVID-19. Constance também forneceu uma “referência brilhante” de seu empregador, que disse aos funcionários do asilo que seu trabalho era essencial.

VEJA TAMBÉM:  Aluno gay é expulso de escola porque ‘é o que Jesus gostaria’

Apesar disso, ela perdeu as esperanças quando recebeu uma carta em 28 de outubro dizendo que seria deportada. Os requerentes de asilo que trabalham na linha da frente da pandemia estão a ser “expulsos” para os países de onde fugiram. Outra mulher, chamada apenas de Lily, se viu em uma posição semelhante à de Constance.

Lily, que também fugiu do Zimbábue em 2016 devido ao sentimento anti-LGBT+, trabalha em uma casa de repouso em Dublin. Ela ficou com o coração partido quando recebeu uma carta dizendo que ela não tinha mais “permissão para permanecer no estado” e que ela deveria partir voluntariamente ou seria deportada.

Lily disse à CNN: “Eles estão dizendo que os trabalhadores da linha de frente são os heróis… mas atrás de portas fechadas eles estão nos expulsando e nos chutando de volta [para os contadores de onde fugimos].”

VEJA TAMBÉM:  Líder gay da Irlanda, Leo Varadkar, deve deixar comando do país com novas eleições

Ambas as mulheres optaram por manter seus nomes completos em segredo por temor de que seus pedidos de asilo pudessem ser afetados se as autoridades descobrissem que eles se manifestaram.

Os direitos LGBT+ no Zimbábue continuam muito atrás de outros países, com o sexo gay ainda ilegal, enquanto o casamento entre pessoas do mesmo sexo é proibido pela constituição.

Os zimbabuenses queer não têm proteção legal contra discriminação, violência e assédio, enquanto as pessoas LGBT+ são frequentemente forçadas a permanecer no armário para proteger sua segurança.

Irlanda fere direitos humanos

O sistema irlandês de acomodação de requerentes de asilo tem sido repetidamente criticado por órgãos de direitos humanos. A Irlanda tem enfrentado repetidamente duras críticas de organismos internacionais de direitos humanos por seu tratamento aos requerentes de asilo.

A Amnistia Internacional chamou o sistema de “um escândalo de direitos humanos em curso” – mas o governo irlandês demorou a reagir e o sistema continua em vigor.