“Descobertas e aprendizados sobre si mesmo”, define Danilo Ferreira, 19 anos, que largou a família na aldeia de 3 mil habitantes para viver e estudar em Brasília.

O jovem de etnia Tupinikim, homossexual assumido e ativista LGBT se reúne com outros estudantes com mesmo perfil para falar sobre identidade e sexualidade e alternativas para atualizar esses conceitos nas próprias aldeias. Danilo conta que os papéis sociais nas aldeias indígenas embora influenciem positivamente na formação de homens e mulheres, ainda estão carregados de preconceitos.

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Até então, achava que eu era o único gay do mundo“, lembra, sorrindo. “Na aldeia eu não tinha referências, a única coisa que eu tinha era contato com o preconceito diário. Aí, descobri que eu posso ser do jeito que eu quero, que não estou errado. Que o preconceito era uma questão de colonização machista e homofóbica que meu povo sofreu”.

Da etnia Baniwa, a antropóloga Braulina Aurora concorda com a visão do jovem Tupinikim, que a ideia do pecado nas relações homoafetivas é herança das igrejas. Braulina desenvolve uma pesquisa na Universidade de Brasília (UnB) para entender como a sociedade indígena considera, como um todo, a orientação sexual de homens e mulheres que se assumem homossexuais. “Em algumas etnias, eles (LGBTs) são considerados como pessoas estéreis, que não podem gerar filhos. Nosso maior desafio, hoje, é fazer com que eles entendam que não é doença, é apenas a sexualidade”.

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Apesar de bem aceita em algumas aldeias indígenas, a homossexualidade ainda é vista como tabu.