Um grupo de homens transfóbicos e covardes que queimou uma mulher trans até a morte no final de semana passado, na Indonésia, não será acusado ​​de assassinato, segundo informou o New Now Next.

A polícia, que identificou seis suspeitos e prendeu três, diz que, embora os homens tenham jogado gasolina na mulher de 43 anos e a tenham incendiado, diz agora acreditar que os suspeitos não pretendiam matá-la. Sendo assim, os suspeitos podem ser acusados ​​de violência física, com pena de prisão máxima de 12 anos.

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O chefe de polícia do norte de Jacarta, Budhi Herdi Susianto, confirma que os suspeitos jogaram gasolina na mulher depois de acusá-la de roubo. Mesmo com um dos suspeitos tendo acendido um fósforo, o delegado disse acreditar que o homem não queimou a vítima intencionalmente.

“A polícia precisa tomar ações investigativas que sejam imparciais e independentes”, diz Usman Hamid, representante indonésio da Anistia Internacional. “Eles não podem parecer os advogados dos autores”.

“A morte dela deve ser um lembrete para muitos indonésios de que mulheres trans merecem justiça e direitos iguais”, acrescenta Andreas Harsono, pesquisador da Human Rights Watch criticando a atitude da polícia em relação ao caso. E lembra: “Milhares de mulheres trans, gays ou lésbicas foram humilhadas na Indonésia nos últimos anos.”

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Enquanto a homossexualidade é tecnicamente legal na Indonésia, exceto na província semi-autônoma de Aceh, governada pela lei da Sharia, os residentes LGBTQ ainda enfrentam censura social em todo o país, como evidenciado por vários ataques contra homens gays e mulheres trans principalmente.

O país de maioria muçulmana viu um aumento de LGBTfobia do próprio governo islâmico militante e de autoridades religiosas pedindo a criminalização da homossexualidade.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).