O assassinato de forma brutal da travesti Dandara dos Santos, em 15 de fevereiro de 2017, no Estado do Ceará, irá se tornar um livro. Intitulado de Casulo Dandara, o livro contará a história de vida da travesti que se tornou ícone da resistência LGBT no Ceará após ser assassinada. Pelas mãos da oficial da polícia civil e amiga de Dandara, Vitória Holanda, o texto tem previsão de lançamento na Bienal do Livro do Ceará, em agosto deste ano.

No livro, escrito entre outubro de 2018 e janeiro de 2019, Vitória narra os detalhes da investigação do homicídio, a qual fez parte desde o primeiro momento. Ela lembra que ao receber o vídeo por um aplicativo de mensagens, respondeu imediato a pessoa que iria dá início as investigações; e assim o fez!

A inspetora lembra que antes do vídeo ganhar as redes e tornar público o assassinato, gerando repercussão nacional e internacional, Dandara Santos nunca havia existido! Ela era Dandara Kettley; o Santos, não existia em nenhum lugar; de nascimento, Dandara era Antônio Cleilson Ferreira Vasconcelos. Dos 11 acusados do assassinato da travesti Dandara, 10 foram identificados.

Em o Casulo Dandara, Vitória narra a trajetória da travesti desde sua infância até seu assassinato e a repercussão do crime. Segundo a inspetora, o maior desafio foi o compromisso com a perda da amiga e o profissionalismo, tornando a narrativa ainda mais singular e desafiadora.

Dandara dos Santos foi espancada, torturada, apedrejada e baleada em um crime brutal que foi filmado e compartilhado nas redes sociais. O suplício escancarado na internet gerou comoção e repercussão internacional e tornou explícita a violência contra travestis e homossexuais.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

A Assembleia Legislativa do Ceará instituiu o dia 15 de fevereiro, data da morte de Dandara, como o Dia Estadual do Combate a Transfobia, constando no calendário oficial do estado. Em 2018, foram julgados cinco dos assassinos de Dandara. Pela primeira vez na Justiça brasileira, um juiz menciona, na sentença, motivo torpe, nominalmente citado como transfobia, como qualificante do homicídio.