Cansado de se sentir julgado e enfrentar muita bifobia na vida, o ativista LGBT e bissexual Alon Zivony, que vive em Tel Aviv, decidiu ir atrás de saber afinal o por quê seus amigos, principalmente heterossexuais, simplesmente não respeitavam sua orientação bissexual e faziam pouco senão piadas, quando este era o assunto da roda.

“Ao saberem que eu era bi, meus amigos duvidavam da minha fidelidade ao meu parceiro quem quer que fosse ele ou ela. Decidi ir atrás de saber o motivo.”, disse ele ao Gay Star News.

Foi então que ele iniciou uma pesquisa em sua Universidade em Tel Aviv e pôde constatar sua impressão com toda certeza, fazendo algumas constatações bem importantes para se refletir. Após a divulgação, o estudo também foi publicada pelo renomado The Journal of Sex Research.


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De acordo com os resultados, Zivony acredita que a percepção negativa das pessoas sobre mulheres bissexuais vem principalmente de homens que as encaram como fetiche por possibilitar o sexo com duas mulheres, sendo constantemente ridicularizadas, objetificadas e limitadas a isso: “Lutar contra estes estereótipos de bissexuais é importante. Essas ideias destroem nossos relacionamentos e a nossa liberdade de sermos quem somos”, disse o pesquisador.

Ser bissexual não significa que você vá trair seu parceiro. Um cara heterossexual pode se interessar por uma outra garota fora do relacionamento e não ser fiel a ela da mesma maneira, como isso ocorre por aí. Ser bi não faz com que seja mais fácil disso acontecer em um relacionamento bissexual independente de se atrair por ambos os gêneros. Se sentir atraído por ambos também não significa que você precise se relacionar com ambos assim como um hétero não precisa se relacionar com todas as pessoas do gênero oposto pra se autoafirmar ou ser hétero. A condição de bissexual também não implica em ter um relacionamento a três, aberto ou poligamia necessariamente. Bissexuais podem ser tranquilamente monogâmicos ou poligâmicos assim como heterossexuais ou homossexuais.

Vale lembrar também que além do meio hétero, o próprio meio LGBT deslegitima muitas vezes as pessoas bissexuais, quando por exemplo, se acredita que bissexuais sejam simplesmente gays ou lésbicas que não se aceitam plenamente: “Bissexuais são rodeados de estereótipos negativos de todo lado, acabam sofrendo preconceito tanto do meio LGBT quanto hétero”, lembra o israelense.

A bissexualidade é uma orientação válida e possível como qualquer outra, ainda que existam gays e lésbicas que não se aceitam de fato e se digam bissexuais por aí pelo medo de se assumirem integralmente homossexuais. Estes são os que acabam prejudicando a credibilidade e imagem dos que de fato são bissexuais.

Sobre uma solução para tanto preconceito e ideias equivocadas sobre a bissexualidade, Zivony acredita que educação e visibilidade seja a solução. Vamos torcer para que sim, e que a gente evolua, tanto fora quanto dentro do meio LGBT em relação a tantos preconceitos presentes, né? Bissexuais existem!


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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).