A Gol Linhas Aéreas se tornou a primeira empresa aérea brasileira a ter uma aeromoça transgênero contratada em seu quadro de funcionários.

Nicole Cavalcante tem 34 anos de idade e entrou na companhia aérea antes de sua transição de gênero, há oito anos atrás, ainda vivendo em sua identidade masculina.

Após afastamento médico tendo sido diagnosticada com uma depressão profunda, Nicole, que já se questionava sobre o assunto, teve então a confirmação médica de que era uma pessoa transgênero.

Não era de hoje que Nicole tentava lutar contra sua natureza, mas só com terapia aceitou e entendeu que seu gênero era o oposto ao sexo biológico: “A transexualidade a gente sabe desde criança. Mas durante minha depressão fiz tratamento e terapia, e entendi que a depressão vinha disso, de não me assumir. Aí o médico sugeriu: “Ou você vai ser quem é ou vai passar a vida toda infeliz. Hoje, estou satisfeita, feliz e realizada”, contou a comissária em ao portal UOL.

Durante três anos, período de seu afastamento e iniciação de tratamento contra depressão e início de sua transição de gênero, Nicole se preparou para se recolocar na empresa: “Enquanto trocava minha documentação, trabalhei internamente na área administrativa. A companhia ainda não sabia como proceder por ser o primeiro caso, mas foi tudo feito da melhor forma”, contou ela.

Nicole se tornou assim, a primeira funcionária transgênero – ao menos nesta função – não somente da GOL, mas de qualquer empresa aérea brasileira na história.

E será que rola alguma transfobia por parte dos outros funcionários? Desde que voltou ao trabalho, Nicole diz que nunca sofreu nenhum tipo de repressão dos colegas ou de passageiros, provavelmente também por ninguém dizer que ela é trans pela aparência: “Quem não sabe da minha história nem percebe. Para quem sabe eu sou super bem aceita”, afirma. “Fui contratada de um jeito e hoje estou de outro, mas a empresa me recebeu super bem. Não tenho o que reclamar de preconceito. Isso não aconteceu comigo e tive essa sorte”, diz.

Sobre a falta de incentivo quanto a contratação de pessoas trans pelas empresas, ela afirmou: “A gente pode ter qualificação profissional e capacidade para exercer qualquer profissão. Só que, infelizmente, o preconceito acaba deixando a gente de lado”.

A realidade de Nicole ainda é excessão dentre a população trans, onde a grande maioria, devido a falta de oportunidades, acaba indo para caminhos difíceis como a marginalidade e prostituição, não tendo outras alternativas.


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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).