Um homem acusado de jogar ácido no rosto de uma garota trans, deixando a vítima cega, foi acusado de “lesão intencional”, que acarreta uma sentença de um a três anos, gerando indignação entre os entes queridos da vítima. Asya Cevahir celebrou seu 18º aniversário poucos momentos antes de seu ex-namorado Emre Boztürk espirrar ácido clorídrico sobre ela em Istambul, Turquia, em 9 de março.

A refugiada síria encontra-se agora em uma cama de hospital em Kocaeli, com seu corpo coberto de queimaduras de terceiro grau, cicatrizes e curativos no corpo inteiro e seu rosto desfigurado. Ela perdeu a visão em um olho e tem apenas 15% da visão no outro, de acordo com site turco Bianet.

Seus amigos têm medo de deixá-la sozinha no hospital onde os profissionais de saúde e sua própria família não a estão acompanhando, disseram. Cevahir reconheceu seu agressor imediatamente. Ela afirmou que o ex-namorado colocou uma máscara para realizar o ataque cruel por volta das 18h30, quando ela saiu de casa.

A garota trans disse à polícia que havia terminado recentemente com Boztürk depois que ele ameaçou matá-la. Uma tempestade de críticas tomou a web no país quando se constatou que a polícia ainda não havia prendido o suspeito. Inúmeros usuários do Twitter levantaram a hashtag com o nome da vítima. Eles se mobilizaram para que os usuários não “permanecessem em silêncio contra ataques de ódio”.

Amigos da garota trans pediam que o suspeito recebesse a sentença “mais pesada” possível. A Gendarmerie, ala militar da aplicação da lei da Turquia, deteve Boztürk em Eskipazar, Karabük, e foi levado ao tribunal no sábado (13 de março). Pedindo uma sentença de “assassinato”, amigos dizem que a vítima está “sozinha” no hospital. Boztürk permanece sob custódia até o momento sob a acusação de “lesão intencional”.

“Asya é uma garota trans síria e precisa de mais solidariedade. Queremos que o homem que a atacou receba a sentença mais pesada e seja julgado por assassinato”, declaram os amigos na web. Asya Cevahir, desde então, foi encaminhada ao Hospital de Treinamento e Pesquisa Kocaeli Derince para tratamento de suas queimaduras.

O ataque brutal desencadeou o medo em um país onde os líderes turcos e chefes religiosos tentaram derrubar pessoas LGBT+ e seus direitos, o ataque desencadeou sentimentos semelhantes de vigilância e terror na Síria, onde o ódio contra pessoas LGBT+ é registrado em cenas aterrorizantes de civis atirados de telhados por grupos de milícias.