Uma mulher lésbica deu queixa de discriminação contra uma unidade do Burger King de Washington, nos Estados Unidos. Ela alega que seu gerente a assediava insistentemente devido à sua orientação sexual, fazendo com que ela desenvolvesse quadros de ansiedade e até tentasse um suicídio.

O Washington Blade noticiou que Ingrid, que não quis seu sobrenome publicado, disse que depois de revelar ser lésbica, seu gerente a abordou várias vezes falando coisas do tipo: “Você gosta dessa mulher?” no ouvido dela.

Ingrid também afirmou na denúncia que pedia repetidamente ao gerente que parasse de incomodá-la, mas ele não a atendeu. À certa altura, o gerente se aproximou de Ingrid na frente de um grupo de trabalhadores e perguntou a ela quem era “o homem” de seu relacionamento.

“Eu me senti tão constrangida, eles começaram a rir”, contou Ingrid na denúncia. “Eu disse a ele que não me sentia confortável e mesmo assim ele não parava”.

Ingrid. (Foto do Washington Blade por Michael K. Lavers)

Ingrid, 19, apresentou sua queixa ao escritório de Direitos Humanos de D.C. em 23 de dezembro, e depois que nenhuma ação foi tomada, apresentou uma queixa por escrito ao gerente distrital do Burger King de sua região.

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O gerente a princípio reduziu o número de horas que Ingrid trabalhava, mas isso afetou seus ganhos por hora diretamente e pouco resolveu sua situação.

Ingrid ficou tão mal que chegou a tentar acabar com sua própria vida. Ela então tentou uma ordem de restrição contra o gerente, embora um juiz a tenha negado. Foi quando ela começou a sofrer graves ataques de ansiedade.

Ainda trabalhando no Burger King, ela decidiu processar a empresa, em suas palavras, para que nenhuma outro LGBTQ tenha que sofrer esse tipo de assédio no futuro: “Não quero que outra pessoa tenha ansiedade ou depressão por causa disso novamente”, disse ela.

Vale lembrar que o episódio lamentável parece ser um caso isolado na companhia, ainda que nada justifique a inércia em uma ação mais efetiva da empresa. O Burger King já chegou a receber  pontuação de 100% no Índice de Igualdade Corporativa de 2019, divulgado pela Human Rights Campaign.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).