O juíz da 5ª Vara Cível de Campinas deferiu medida liminar em favor de Thais de Paula Cyriaco para que ela tivesse o direito de usar o banheiro feminino na unidade Santos Dumont da rede de supermercado atacadista Makro , onde trabalha como terceirizada desde junho de 2018.

Discriminada por colegas de trabalho, Thais foi proibida de usar e limpar os banheiros femininos por ser lésbica e não vestir-se conforme vestuários ditos femininos. Ela simplesmente gosta de usar o cabelo curto e com gel, além de camisa e bermuda.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

“Querendo ou não, eu sou mulher. É humilhante. É uma coisa que acho que o ser humano não precisa disso. A gente tá ali, todo dia, para ter nossa melhora, para as pessoas acharem que não sei… que a gente é um bicho”, disse Thais em entrevista para a EPTV de Campinas.


Thais de Paula Cyriaco conseguiu direito de ir ao banheiro feminino na Justiça. (Foto: EPTV)

Ela contou que usava o uniforme em cima da roupa para poder trabalhar e que se sentia constrangida principalmente neste momento pois tinha que usar o banheiro masculino: “Usava o de deficiente ou quando não tinha ninguém dentro (do masculino). Porque fico muito constrangida”, disse.

VEJA TAMBÉM:  Vídeo: aluno poc se revolta e soca homofóbico na escola

Entenda o caso:

 Dentro do banheiro feminino, uma colega de trabalho achou que a Thais fosse homem. Segundo Thais, essa moça reclamou com a chefia e a empresa terceirizada ordenou que ela, a partir de então, só poderia usar o banheiro masculino.

Com medo de perder o emprego, ela vinha enfrentando essa situação desde setembro do ano passado. Para acabar com isso, a auxiliar de limpeza entrou com uma ação na Justiça contra a empresa terceirizada (Eloforte), que contrata a promotora de vendas que a confundiu (Aurora) e a rede atacadista.

A liminar concedida pela Justiça de Campinas, no último dia 21 de fevereiro, determina que o emprego de Thais seja mantido e que ela tenha direito a usar o banheiro feminino. Caso essa determinação não seja cumprida, a rede atacadista pode pagar multa de R$ 10 mil até a R$ 500 mil.

VEJA TAMBÉM:  Coronavírus: pastor norte americano culpa comunidade LGBT+ pela pandemia

Em nota, o Makro Supermercados disse que “tomou ciência deste caso no dia de hoje e está apurando internamente o ocorrido”. A empresa esclareceu ainda “que não admite qualquer discriminação ou preconceito e reforça que respeita e reconhece o direito à liberdade de todos, conforme seus valores corporativos e seu código de conduta”.

A Elofort, também em nota disse que “repudia qualquer ato de discriminação sendo ela de qualquer natureza”. Sobre o caso da Thaís, a empresa disse que “em um determinado momento do contrato de trabalho, surgiu o questionamento de como gostaria de ser chamada e de qual banheiro se sentia mais confortável em utilizar. E a resposta que nos foi dada naquele momento foi de que gostaria de ser chamado de Thalison e de que se sentia mais confortável em usar o banheiro masculino”.

VEJA TAMBÉM:  Escola é fechada após pais de alunos ameaçarem castrar estudante trans

A nota segue: “A partir daí todos os funcionários passaram a trata-lo no masculino, uma vez que esse foi o pedido e a partir dessa premissa foi estabelecido que usaria o banheiro masculino. Vale esclarecer que em nenhum momento ocorreu a proibição da empresa fundamentada na orientação sexual do funcionário. A empresa informa que não interfere na orientação sexual de qualquer funcionário, muito menos é motivo de avaliação para contratação ou demissão. Prova disso é a contratação de tal funcionário. No mais a empresa informa que está à disposição para esclarecer quaisquer fatos”.

Já a Aurora, mais uma vez em nota oficial, disse que “desconhece o mesmo e a existência de qualquer demanda judicial acerca do ocorrido, situação que impede qualquer manifestação quanto ao seu mérito. Não obstante, informa que repudia e se opõe a toda e qualquer forma de discriminação”.