Um filme francês em parceria do governo belga, intitulado “A Good Man” de Marie-Castille Mention-Schaar, nem estreou ainda pelos circuitos e festivais, mas nos fez questionar ‘você sabe que existem atores LGBT+, certo?’. O filme, que traça a vida de um homem trans que, em meio à sua transição, decidiu ter um filho, escalou uma mulher cisgênero no papel principal. POR QUÊ?

“A Good Man” traz Noémie Merlant como Benjamin que, ao descobrir que sua parceira Aude quer um filho, mas não consegue conceber, decide buscar a fertilização in vitro. Mas escalar uma mulher cis para o papel – seguindo as estrelas de Hollywood Eddie Redmayne e Scarlett Johansson – atraiu críticas, levando o produtor do filme a chamar os comentários de “estúpidos e injustos”.

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A cineasta de “A Good Man” diz que a regra de ‘apenas pessoas trans interpretando papéis trans’ é ‘contraproducente’. No Festival de Cinema de Cannes, Mention-Schaar enfatizou a escassez de atores trans e então disse que escalou o ator trans Ben Ahmed para interpretar um homem cis no filme.

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“Para mim, seria […] contraproducente dar apenas papéis trans para atores trans e papéis cis para atores cis”, acrescentou a diretora do filme francês que está sem data para lançamento. Mas isso não é exatamente o que os ativistas argumentaram, que dizem que o elenco constante de pessoas não-LGBT+ em papéis queer frequentemente equivale a discriminação dentro da indústria.

Os papéis LGBT+ em filmes há muito tempo são encurralados em uma gama estreita de histórias – o surgimento, a rejeição, a morte – mas essas tramas obsoletas têm sido cada vez mais evitadas em favor de contar histórias queer com cuidado e complexidade.

Mas enquanto esses papéis estão em ascensão, os atores queer continuam a lutar, e os espectadores LGBT+ expressaram uma crescente frustração por pessoas heterossexuais e cisgênero serem escaladas para tais papéis.

Essa crítica não quer dizer que apenas atores queer podem desempenhar papéis queer, mas sim, que enquanto for tão pequena a oferta de papéis queers, que atores possam ter a oportunidade de fazê-los. A ideia de que os cineastas não conseguem encontrar atores trans-masculinos é uma falácia.

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Na verdade, Mention-Schaar disse que pessoas cis e heterossexuais podem assumir as narrativas de vidas LGBT+, olhando para a atuação ganhadora do Oscar de Hilary Swank no filme de 1999 Boys Don’t Cry: “Antes de seu gênero, sua identidade sexual, sua cor de pele, um ator ou atriz é antes de tudo um ator ou atriz”.

“E eu acredito que o personagem que ele encarna precisa de sua técnica e talento.” (ou seja, atores trans não tem talento…). Mas, como disse a crítica de cinema trans Danielle Solzman ao The Wrap: “Vou dizer a mesma coisa agora que disse em 2018, quando “Garota Dinamarquesa” estava recebendo toda a indignação: se você não conseguir encontrar um ator transgênero para o projeto, é apenas a prova de que você não está olhando com atenção o suficiente”.

Enfim, a diretora do filme francês “A Good Man”, que ainda não tem trailer oficial, poderia ter olhado para o elenco de Pose e outras aclamadas séries de TV, até mais antigas, como “Orange is The New Black” e encontrar o que precisa.