O recém formado em Educação Física, Thomas Cristian, viralizou na Internet ao participar de um desafio no Twitter que propunha a estudantes de faculdade compararem fotos de si mesmos no primeiro e último períodos da faculdade.

Acontece que, diferente dos outros universitários que participaram do desafio, durante os últimos anos em que esteve na graduação, Thomas realizou sua transição de gênero.

Sua publicação, que mostra a comparação de seu visual no primeiro semestre do curso, ainda como Suzana, e no oitavo, já como Thomas, chegou a ter mais de 107 mil curtidas e 6.400 retweets.

Ele ainda foi a primeiro estudante de sua faculdade, a Universidade Estadual de Goiás, a passar por uma transição de gênero. Seu ativismo também se fez presente nos trabalhos durante o curso: “Fui o primeiro homem trans a me formar em 50 anos de existência da minha faculdade. Abordei a evasão de pessoas trans em ambientes escolares, mas apresentei em forma de performance, representando os que não tiveram a chance que eu pude ter. Tentei falar por nós, vistos como corpos matáveis e marginalizados. Uma penca de trans entrou na universidade depois”, disse o rapaz ao Põe Na Roda.

Embora quisesse atingir outras pessoas trans com inspiração e coragem, ele não esperava tamanha repercussão do post: “Eu realmente não esperava! Um amigo de faculdade postou e eu entrei na modinha e coloquei, afinal, entrei na faculdade como Suzana e sai como Thomas. Meu primeiro pensamento foi: ‘Talvez isso chegue em outras pessoas trans, talvez elas possam enxergar que Universidade é local de transexual sim, universidade, escola, trabalho, qualquer lugar! Somos seres humanos apesar da historia, governo, religião, etc. Sempre nos colocaram à beira da marginalidade, como corpos matáveis, desprezíveis… Então eu postei, fui tomar banho e quando voltei, meu celular não parava!”

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

Apesar da maior parte de elogios e mensagens positivas, claro que também houve críticas e gente sem noção comentando: “Houve as piadinhas, tipo ‘ela tem mais barba do que eu’, ‘como pode uma mulher ser mais homem do que eu’, porém o apoio foi maior e recebi inúmeros elogios”.

Na sua vivência, Thomas conta que sempre soube quem era no fundo, mas demorou a ter coragem de se assumir e enfim transicionar: “Sou adotado e a última coisa que queria era decepcionar meus pais. Fui apresentado a um amigo de um amigo que era trans e por mais de dois anos trabalhei essa questão até me assumir”.

Thomas hoje. Reprodução: Instagram.

Quanto à faculdade, Thomas teve a felicidade de ser respeitado por maior parte dos colegas e até professores: “Alguns professores sempre estiveram ao meu lado, inclusive, quando voltei de ferias, que foi quando Thomas surgiu. Durante a primeira aula, o professor disse “Tem alguém que não quer ser chamado pelo nome que tá na lista?” e eu criei coragem e disse que sim, que gostaria que fosse chamado de Thomas.”

Entretanto, nem tudo foram flores: “Sofri transfobia de um professor que me reprovou por motivos pessoais, mas consegui resolver. Banheiro, era complicado porque não tinha porta, mas todos me conheciam então eu usava o feminino quando não havia ninguém, pedi inumeras vezes para por porta nos banheiros mas foi em vão. Porém não deixei isso me afetar, urinar nas roupas que eu não iria. Levou algum tempo para que as pessoas se acostumassem com o pronome e o Thomas”.

Infelizmente a família, os amigos, a faculdade e todo esse apoio que Thomas conseguiu não é uma realidade para todas as pessoas trans. A maioria ainda lida com preconceito e situações extremas de desrespeito e rejeição. Que a história de Thomas sirva de exemplo, inspiração e coragem a muitos e cada vez mais pessoas trans ocupem os espaços que sonham ocupar e tem todo direito.

Nas redes sociais, Thomas é ativista LGBT e conta com mais de 4 mil seguidores no Instagram. Confira abaixo algumas fotos do rapaz:

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colecione momentos e não pessoas 🍃🍂

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).