Pela novela Malhação, a gente pode ter uma ideia clara que, a nova geração de famosos felizmente já não parece ter o mesmo comportamento de gerações anteriores, onde o padrão era viver uma vida no armário, sendo até muito comum ter relacionamentos de fachada pra esconder a verdadeira identidade, fosse L, G, B ou T.

Prova disso é que, no elenco de várias temporadas recentes da novela Malhação, sempre formados por novos talentos da dramaturgia, é cada vez mais comum que esse tipo de revelação aconteça sem qualquer alarde. Bruno Gadiol, Ana Hikari, Pedro Alves, Alanis Guillen, Gabrielly Nunes… Isso só pra citar alguns exemplos recentes! E que bom, né?

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Falando nisso, acaba de acontecer mais um caso de artista que, sem medo de ser feliz, contou ao mundo de sua verdadeira vivência e identidade.

Entre 2019 e 2020, a novela Malhação – Toda Forma de Amar, da TV Globo, contou com a personagem Martinha, interpretada na época por Beatriz Damini, como era creditada sua identidade nos créditos da novela, com o nome e gênero que lhe foi atribuído ao nascimento.

Acontece que, como acontece com muitas pessoas trans, desde muito cedo, Beatriz percebeu que não era a Beatriz que a família e a sociedade esperavam na expectativa que formaram com seu sexo biológico.

Benjamin na novela Malhação, onde fez sucesso vivendo a personagem Martinha (Foto: Reprodução / Instagram)
Benjamin na novela Malhação, onde fez sucesso vivendo a personagem Martinha (Foto: Reprodução / Instagram)

“Aos 3 anos eu acreditava ter nascido no corpo errado. Aos 4, convenci meus amigos da escola de que era um menino disfarçado!”, contou o ator em um post no seu Instagram onde, acompanhado de um carrossel de fotos que começa na sua infância, explicou sua história de vida, entre muitas crises de identidade no caminho de descobrir quem é de fato, até hoje finalmente falar publicamente – e tranquilamente – que é o que sempre sentiu ser: um homem.

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Benjamin começa o post em seu nascimento: “22 de setembro de 2020 12:02. Benjamin quer te contar uma história. Ele sou eu. Nessa foto eu tinha 3 anos. Aos 3, eu acreditava ter nascido no corpo errado e por muitos anos rezei antes de dormir pra acordar no dia seguinte no corpo certo, no corpo de um menino. Aos 4, convenci meus amigos da escola de que eu era um menino disfarçado de menina, mas ninguém além deles poderia saber”

E continua: “Eu sou uma menina e pra sempre vou ser. Mas eu não me sinto menina. Não sei nem ser menina. Não interessa. Aprende. É assim que vai ser. Enxuga essas lágrimas. Engole esse choro. Engole tudo o que te diferencia das outras meninas. Engoli. Comprei sutiã. Sou uma menina”.

Benjamín (Foto: Reprodução / Instagram)
Benjamín (Foto: Reprodução / Instagram)

Então, Benjamín fala sobre o término de um namoro em meio a autodescoberta: “Aos 18 comecei a namorar Ana. Ana não é o nome dela de verdade. Tipo Beatriz. Mas por 21 anos esse nome fez muito sentido. Atriz. Era isso que eu era. Atriz de mim. Quando ana terminou comigo, eu percebi que eu não sabia quem eu era de fato. Fui buscar!”, finalizou ele.

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Veja abaixo seu post na íntegra, que foi inundado de mensagens de apoio:

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22 de setembro de 2020 12:02 benjamin quer te contar uma história. ele sou eu. nessa foto eu tinha 3 anos. aos 3 eu acreditava ter nascido no corpo errado e por muitos anos rezei antes de dormir pra acordar no dia seguinte no corpo certo, no corpo de um menino. aos 4 convenci meus amigos da escola de que eu era um menino disfarçado de menina, mas ninguém além deles poderia saber. aos 7 quando meus seios começaram a se desenvolver e eu não podia mais brincar na praia sem a parte de cima do biquini eu chorei. aos 9 quando eu menstruei eu também chorei. foram choros intermitentes que só cessaram depois de dias. porque eu nasci fêmea toda fêmea tem que ser menina. foi isso que sempre me disseram. então quem sabe seja isso mesmo. eu sou uma menina e pra sempre vou ser. mas eu não me sinto menina. não sei nem ser menina. não interessa. aprende. é assim que vai ser. enxuga essas lágrimas. engole esse choro. engole tudo o que te diferencia das outras meninas. engoli. comprei sutiã. sou uma menina. aos 12 comecei com as explosões de agressividade com a minha família e com qualquer colega na escola que me chamava de maria-macho. aos 13 escrevi uma história de um menino chamado benjamin que sentia demais. aos 14 veio a primeira depressão. terapia. remédios. aos 16 arrumei um namorado. antônio. antônio não é o nome dele de verdade. tipo beatriz. eu controlava até as roupas que o antônio usava. troca esse shorts porque não tá combinando com a blusa, antônio. aliás, não gosto dessa blusa, deixa eu escolher outra. tadinho do antônio. antônio foi uma das algumas vítimas das minhas projeções de gênero inconscientes. a verdade é que eu queria poder usar as roupas que o antônio usava. e eu até podia. mas tinha medo. aos 18 comecei a namorar ana. ana não é o nome dela de verdade. tipo beatriz. mas por 21 anos esse nome fez muito sentido. atriz. era isso que eu era. atriz de mim. quando ana terminou comigo eu percebi que eu não sabia quem eu era de fato. fui buscar. (continua nos comentários)

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).