Dentre os piores países para cidadãos LGBTs no mundo, está o Egito, onde a homofobia é institucionalizada e apoiada pelo Estado. Foi noticiado que perfis falsos no Grindr estão sendo usados ​​por forças de segurança do país para localizar e prender pessoas LGBT+ e sujeitá-las a abusos horríveis na prisão. Foi o que descobriu um novo relatório divulgado pelo Human Rights Watch.

Um grupo de LGBTs acusa a polícia do país por buscar rotineiramente indivíduos LGBTs nas ruas e detê-los em condições desumanas, muitas vezes depois de revistar ilegalmente seus telefones em busca de provas que sejam LGBTs, para então incriminá-los.

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E a polícia usa qualquer conteúdo encontrado pra justificar as prisões. Uma vez na prisão, as vítimas são submetidas a tortura e abusos sistemáticos, incluindo “testes de virgindade anal” forçados.

“As autoridades egípcias parecem estar competindo pelo pior histórico de violações de direitos humanos contra pessoas LGBT na região. O silêncio internacional sobre a homofobia do país é terrível”, disse Rasha Younes, pesquisadora de direitos LGBT+ da Human Rights Watch.

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Um homem, “Yasser”, 27, disse ao grupo que foi preso em Gizé depois de conversar com outro homem no Grindr: “Fiquei chocado ao ver que o cara que conheci no Grindr era um policial chegando”, disse ele.

Cairo, Egito 12 de janeiro: 26 LGBTs são presos. (Foto: Hassan Mohamed/Anadolu Agency/Getty Images)
Cairo, no Egito 12 de janeiro: 26 LGBTs são presos. (Foto: Hassan Mohamed/Anadolu Agency/Getty Images)

“Eles me espancaram e me obrigaram a assinar papéis que diziam que eu estava‘ praticando ‘desejos sexuais não naturais’”, revelou a vítima da polícia do Egito.

Em outros exemplos da homofobia cruelmente deliberada, outros prisioneiros LGBT+ denunciaram que foram amarrados por vários dias.

A Human Rights Watch compartilhou relatos detalhados de 15 pessoas diferentes, incluindo o de uma garota de 17 anos, que revela abuso físico e verbal.

A ativista política e mulher trans Malak el-Kashif, 20, disse que foi presa e “colocada em uma cela semelhante a uma gaiola” do tamanho de um freezer depois de participar de um protesto em 2019. As forças de segurança a questionaram sobre sua vida privada, seu gênero, cirurgia genital e seu relacionamento com outros ativistas, disse ela.

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“Sofri o pior abuso verbal que já vivenciei por policiais e eles me proibiram de ir ao banheiro por dois dias. Eles me submeteram a um exame anal forçado e me agrediram sexualmente”, disse ela.

Uma outra vítima foi forçada a ficar três dias seguidos em um quarto escuro com as mãos e os pés amarrados com uma corda. Outra detida disse que a polícia a forçou a passar por três testes de virgindade separados, depois dos quais ela sangrou por três dias e não conseguiu andar por semanas.

Ainda segundo o relatório, nove entrevistados disseram que os policiais ordenaram que outros detidos abusassem deles. Oito foram vítimas de violência sexual, enquanto cinco foram obrigadas a fazer exames anais forçados.

Quatro disseram que não receberam atendimento médico e oito disseram que foram forçados a assinar confissões. Todos tiveram acesso negado a advogados.

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O relatório chocante ecoa o trauma da ativista LGBT+ Sara Hegazy, que tirou a própria vida três meses atrás depois de lutar contra uma depressão causada após tortura em uma prisão na capital do Egito, Cairo: “A prisão me matou. Isso me destruiu”, disse ela depois de escapar da detenção.

Seu trágico suicídio devastou a comunidade LGBT+ egípcia e enviou ondas de solidariedade de todo o mundo. Vigílias à luz de velas contra a homofobia foram realizadas em cidades de Brooklyn a Beirute para homenagear Hegazy e aumentar a conscientização sobre a luta que ela enfrentou.

A Human Rights Watch agora está pedindo ao Egito que “parem de apoiar suas forças de segurança abusivas até que o país tome medidas eficazes para acabar com este ciclo de abusos e homofobia, para que as pessoas LGBT+ possam viver livremente em seu país.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).