Já dizia o ditado: “Filho de peixe, peixinho é”. E sinceramente… O que mais podemos esperar da educação do filho de alguém que diz que “Não estupra uma mulher porque ela não merece”, que “Mulher tem que ganhar menos porque engravida!”, que “Se o filho fica meio veado, tem que bater pra ver se corrige!”, e tantos outros absurdos, não é mesmo?

Pois bem. A jornalista Patrícia de Oliveira Souza Lélis abriu uma denúncia contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSC) por ameaças, chantagens e xingamentos que o filho do deputado, presidenciável e homofóbico Jair Bolsonaro fez com ela por meio do aplicativo Telegram. Dentre outros absurdos, ele diz que iria acabar com a vida dela e ela iria se arrepender de ter nascido, fora xingamentos como “puta” e “vagabunda”.

Mas qual o motivo da ira de Bolsonaro? O problema começou quando o próprio postou em seu Facebook que estaria namorando Patrícia, o que ela negou publicamente logo em seguida. Eis que ele se revoltou e foi então que tiveram a conversa descrita abaixo pelo aplicativo de mensagens:

BOLSONARO: “Sua otária! Quem você pensa que é? Tá se achando demais. Se você falar mais alguma coisa eu acabo com sua vida!”
PATRICIA: “Isso é uma ameaça???”
BOLSONARO: “Entenda como quiser. Depois reclama que apanhou. Você merece mesmo. Abusada. Tinha que ter apanhado mais pra aprender a ficar calada. Mais uma palavra e eu acabo com você. Acabo mais ainda com a sua vida”
PATRICIA: “Eu estou gravando”
BOLSONARO: “Foda-se. Ninguém vai acreditar em você. Nunca acreditaram. Somos fortes”
PATRICIA: “Me aguarde pois vou falar”
BOLSONARO: “Vai para o inferno. Puta. Você vai se arrepender de ter nascido. O aviso está dado. Mais uma palavra e eu vou pessoalmente atrás de você. Não pode me envergonhar.
PATRICIA: “Tchau”
BOLSONARO: “Vagabunda”
PATRICIA: “Resolvemos na justiça. É a melhor forma”
BOLSONARO: “Enfia a justiça no cú”

Cumprindo sua palavra, a jornalista não se intimidou pelas ameaças e buscou a justiça, uma vez que considerou clara a intenção do acusado de impedí-la de divulgar as mensagens, fazendo-se valer de ameaças para tanto.

A defesa da vítima ainda lembrou que Eduardo Bolsonaro tentou inibir as provas através de um recurso do aplicativo: “Relevante destacar que o denunciado teve a preocupação em não deixar rastro das ameaças dirigidas à vítima alterando a configuração padrão do aplicativo Telegram para que as mensagens fossem automaticamente destruídas após 5 (cinco) segundos depois de enviadas. Não fossem os prints extraídos pela vítima, não haveria rastros da materialidade do crime de ameaça por ele praticado. A conduta ainda é especialmente valorada em razão de o acusado atribuir ofensas pessoais à vítima no intuito de desmoralizá-la, desqualificá-la e intimidá-la”.

Agora, se condenado, Eduardo Bolsonaro pode ser detido por até um ano. Caso não tenha condenações anteriores, pode ter a pena convertida em pagamento de 25% de seu subsídio como parlamentar à uma instituição de atendimento a famílias e autores de violência doméstica. além de 120 horas de serviço à comunidade. O ministro Roberto Barroso é o relator do caso no STF.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 100 milhões de visualizações e 800 mil inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).