Nesses tempos de caça às bruxas, na verdade, caça a direitos homossexuais tão duramente conquistados, ninguém fala sobre o “pink money” ou, em bom português, dinheiro gay.

Fato que é que fruto de muitos estudos já feitos em todos os países desenvolvidos e em nosso bem menos desenvolvido Brasil, o dinheiro gay é muito volumoso e está à disposição da indústria, do comércio e dos serviços.

Gays, na teoria, têm menos filhos para sustentar na escola, ganham mais porque têm mais acesso à educação e, movimentam setores como o do turismo que têm sempre as caixas registradoras cheias por conta de nossa ajuda.

Todos os setores da economia se beneficiam do dinheiro gay e, consequentemente, os governos também recebem os impostos municipais, estaduais e federais dos gays, igualmente como recebem dos héteros.

Nós, nunca fomos tratados como cidadãos de primeira classe, ao contrário, sempre fomos tratados como cidadãos com menos direitos, com menos visibilidade, vivendo sempre às escuras e com medo de dedos apontados para nós.

VÍDEO NOVO DO PÕE NA RODA:

Todavia, nosso dinheiro não tem carimbo: não existe um pink money que circula somente entre os gays. O mesmo real que paga por um produto e serviço é o mesmo real que gera impostos, empregos, e sustenta parte do imenso orçamento da União, dos Estados e dos Municípios.

E, é esse o nosso assunto de hoje. Diversas empresas, de olho nas mudanças da sociedade e da nossa inclusão no mundo da propaganda, estão apostando em comerciais de seus produtos onde colocam casais gays e outras minorias como pano de fundo de seus anúncios.

Falando de retrocesso, recentemente o presidente – sem autoridade para isso – mandou barrar um comercial do Banco do Brasil que tinha gays e outras minorias veiculadas como potenciais clientes. A presidência do Banco não só aceitou o desmando como também demitiu o diretor que cuidava da área de comunicação do banco.

Se, todos os gays, negros e outros que estavam no comercial fechassem suas contas neste banco, imediatamente o banco voltaria atrás para não fechar suas portas porque a quebradeira seria inevitável.

Ocorre, que quando elege-se um presidente com discurso autorizador dos preconceitos, uma avalanche de retrógrados cidadãos começam a comentar em redes sociais e para quem quiser ouvir que se deveria boicotar esta ou aquela marca por conta do fato de estarmos nos comerciais.

Marcas como a Natura, como o Burguer King, têm sofrido ataques de “cidadãos de bem” que estão preocupados com quem aparece nos comerciais e estão contra as propagandas.

Mas, esses ataques são apenas gritos isolados de meia dúzia de fanáticos ignorantes das mudanças sociais que o mundo vem vivendo nas últimas décadas.

A pergunta que fica é: se nós gays, resolvermos em algum momento boicotar este ou aquele banco porque ficou refém de um capricho do presidente, este banco vai falir, seja ele o Banco do Brasil ou qualquer outro, então, por qual razão ainda não fizemos isso? Por qual razão ainda não deixamos de comprar neste ou aquele estabelecimento por conta de suas condutas contra homossexuais?

Tenho certeza que se um levante como esses um dia for feito, até os héteros de bom senso se juntarão à causa e, em pouco tempo estaremos sim, dando as cartas de onde devemos gastar nosso pink money e os pink taxes (impostos gerados pelos gays). Não haverá governo que se sustente sem nosso apoio. Tenham sempre isso na cabeça. Nós podemos muito mais do que imagina nossa vã filosofia…