A decisão do Sudão de suspender pena de morte como punição por sexo gay foi aclamada pelos ativistas LGBT+ na última quinta-feira como um sinal promissor após quase quatro décadas de domínio islâmico, com pedidos para que as sentenças de prisão sejam abolidas também.

Alguns outros entretanto criticaram o relaxamento da lei no Sudão conservador, onde um governo de transição prometeu levar o país à democracia depois da queda no ano passado do autocrata Omar al-Bashir, que está no poder desde 1989.

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“Essas emendas ainda não são suficientes, mas são um primeiro passo para o governo de transição que está tentando implementar mudanças”, disse quinta-feira Noor Sultan, fundador do Bedayaa, um grupo LGBT+ no Egito e no Sudão. “Vemos isso como uma mudança positiva no caminho da reforma”, reconheceu ele.

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Ainda hoje as relações gays são criminalizadas na maior parte da África e do Oriente Médio. O Sudão foi um dos seis países, incluindo Irã, Arábia Saudita, Iêmen, Nigéria e Somália, que impuseram a pena de morte por sexo gay.

Segundo a antiga lei de sodomia do Sudão, gays deveriam enfrentar 100 chicotadas pela primeira ocorrência, cinco anos de prisão pela segunda e a pena de morte pela terceira vez. As punições agora foram reduzidas a penas de prisão, que variam de 5 anos para primeira ocorrência até prisão perpétua para a terceira.

A mudança da lei foi parte de várias reformas anunciadas pelo ministro da Justiça no sábado, incluindo planos para descriminalizar o abandono de religião e permitir que não-muçulmanos consumam álcool.

O Sudão também proibirá a mutilação genital feminina, que normalmente envolve a remoção parcial ou total da genitália externa de meninas e mulheres, e permitirá que as mulheres viajem com seus filhos sem a necessidade de permissão de um homem da família, disse ele.

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Criador Põe na Roda, canal do youtube de humor e informação LGBT desde 2014, com mais de 150 milhões de visualizações e 1 milhão de inscritos. Autor do livro "Um Livro Pra Ser Entendido", que desmistifica questões do mundo gay e sobre ser LGBT para todos os públicos. Também foi roteirista de TV (Amor & Sexo, Adnight, CQC, Furo MTV) e colunista (Folha de S. Paulo).