Case sim! Mas, separe-se se sua relação for abusiva. Tudo o que queremos é igualdade de direitos. Mas os casamentos, tanto heterossexuais como homossexuais, podem convergir no mesmo sentido: relação de abuso…

A Justiça brasileira tem sido muito sensível e tem aplicado a Lei Maria da Penha nas relações entre pessoas do mesmo sexo também, assim como a própria lei determina pois a lei Maria da Penha é clara no sentido de dizer que “independem de orientação sexual todas as situações que configuram violência doméstica e familiar”.

Ora, as relações são humanas, não são hétero ou gay. E as pessoas têm suas características e defeitos. Sobretudo se, um dos parceiros tiver aquela sensação de menos valia, lá no fundinho do seu coração. Nasceu gay, foi rejeitado pela família, foi objeto de bullying na escola, foi objeto de descortesia ou até homofobia. Pronto: está pintado o quadro em que um dos parceiros vai aceitar qualquer coisa para não estar sozinho e o outro, vai se sobrepor na violência porque foi o salvador da pátria.

Isso acontece com homens e mulheres, homens com homens e mulheres com mulheres.

Você sabe se seu relacionamento é ou está enveredando para o abuso? Aqui vão algumas dicas: 

  1. Ciúme excessivo (ele ou ela não deixam você sair com este ou aquele amigo ou, vestido desse ou daquele jeito, ainda que ele ou ela estejam junto com você)
  2. Abuso de poder econômico (ele ou ela sempre te lembram que se não fosse por eles você estaria debaixo da ponte)
  3. Abuso psicológico (ele ou ela dizem que vão te proteger de tudo e te amparar sempre mas, a mensagem subliminar é de que você é incompetente para cuidar de si mesmo)
  4. E, finalmente, a violência real (que começa com discussões onde aparece o palavrão ou outra falta de respeito que, vai derivar rápido para um empurrão e, finalmente para uma surra mesmo)

Esteja sempre atento para esses sinais. Obviamente, você sabe que sua relação é abusiva. Você só não quer ver… Ciúme na medida certa é lindo, amparo emocional e material são acolhedores, proteção é gostoso, mas ninguém nunca está livre de topar com um companheiro ou companheira que não se auto limita em relação à violência.

Neste caso, muito embora seja o terror, você tem que denunciar.

Antes que alguém diga que não vai passar vergonha na Delegacia por homofobia do delegado, tenha sempre em mente que você é titular de seus direitos e, se por acaso a coisa for feia no sentido de ter que ir para um pronto socorro, os próprios médicos vão fazer a notificação da autoridade policial.

Os direitos, todos, e os gays também, não vêm de graça. Aliás, essa é uma frase que eu uso muito. Nada nesta vida é de graça. Você é o titular de seus direitos mas também é o único que pode exercê-lo.

Procure a polícia, um centro de acolhimento, um advogado, qualquer um. Mas não deixe de notificar. A Justiça brasileira tem cumprido a lei e defere inclusive medidas protetivas para deixar o seu ex longe de você se assim for necessário.

Case sim, e pule fora se perceber qualquer coisa estranha vinda de seu parceiro. Brigas e discussões são comuns a todos os casais mas, violência não!